Netflix estaria bloqueando acesso dos usuários a conteúdo internacional

Por Redação | 05 de Janeiro de 2015 às 11h21

Apostando na conveniência e em um gigantesco catálogo para acumular cada vez mais usuários em todo o mundo, a Netflix tem sido uma alternativa contra a pirataria online. No entanto, o serviço possui uma lista de conteúdos diferentes em cada país, o que torna a versão brasileira da plataforma, por exemplo, inferior à disponível nos Estados Unidos. É esse fator que leva muitos internautas a apostarem em serviços como VPNs e proxies, que mascaram a localização da conexão e permitem acesso a versões internacionais do sistema.

Mas isso deve ficar no passado. De acordo com informações do site TorrentFreak, a empresa teria começado neste final de semana a bloquear usuários que utilizem esse tipo de artifício sob uma alegação de violação dos termos de uso. A mudança teria acontecido após uma pressão da MPAA, uma organização americana que defende os direitos das produtoras e distribuidoras de entretenimento, e estaria preocupada com a quebra de acordos de licenciamento regionais para diversas produções.

A ideia é relativamente simples. De forma a dar mais praticidade para seus usuários, a assinatura da Netflix é única e vale para todas as regiões, com a escolha de qual delas será acessada acontecendo por meio de verificação de IP. Caso o usuário viaje para o exterior, continuará tendo acesso ao serviço, mas a partir de sua versão regional. É justamente essa ideia com a qual trabalham os proxies ou VPNs, capazes de redirecionar a conexão do utilizador a partir de outros países.

Em uma tentativa de tornar a atitude um pouco menos invasiva, a Netflix atualizou seu aplicativo para Android obrigando a utilização do serviço Google DNS. Assim, ficaria impossível a mudança de serviço para que a conexão fosse mascarada. A atitude de bloqueio também estaria acontecendo na versão web da plataforma, por meio de uma comparação entre os horários do browser do usuário em relação ao fuso local, e também por dados de geolocalização.

Oficialmente, a Netflix não negou, nem confirmou a ação, afirmando que a medida não representa mudança alguma. Segundo um comunicado oficial publicado pelo Engadget, a restrição quanto ao uso de tecnologias para acesso a conteúdos internacionais sempre fez parte das normas da companhia, que não alterou a maneira com a qual lida com VPNs, proxies e outros serviços desse tipo.

Para muitos usuários, a estratégia pode soar como uma traição. Como cita o The Next Web, muita gente tem demonstrado nas redes sociais a clara intenção de retornar ao mundo dos torrents e dos downloads ilegais caso a medida realmente seja mantida pela Netflix. Os usuários mais revoltados estariam na Austrália, onde o serviço ainda não chegou, mas pelo menos 200 mil pessoas utilizam métodos como VPNs e proxies para acessar a versão americana.

Para os internautas atingidos, não resta dúvida de que a Netflix tem como objetivo principal atender aos interesses de grandes corporações. Por outro lado, impedimentos quanto ao uso desse tipo de tecnologia fazem sim parte dos termos de uso da plataforma. A ideia geral é que a notícia vai ter um impacto negativo sobre a forma com a qual os assinantes enxergam a plataforma, mas não deve ser tão grande assim.

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