Netfix quer igualar conteúdo mundial para acabar com acessos por VPN

Por Redação | 31.03.2015 às 17:20

São inúmeros os motivos que tornam o calendário de lançamento de qualquer coisa diferente ao redor do mundo: acordos de exclusividade, contratos de licenciamento, problemas estruturais e até mesmo um interesse maior ou menor por um determinado item em diferentes partes do mundo. Essas são razões que explicam, por exemplo, o portfólio diferente da Netflix em diversos países, com a versão americana sendo considerada por muitos como a mais completa. Isso, para o CEO da empresa, Reed Hastings, precisa acabar.

Em entrevista, ele afirmou que a única maneira de acabar de verdade com a pirataria do serviço – e também os indesejáveis acessos a conteúdos internacionais por meio de VPN – seria igualar o conteúdo para todos. Ou seja, tornar real o sonho de muito aficionado por filmes e séries, que passaria a ver seus shows favoritos saindo por aqui ao mesmo tempo que nos EUA ou na Europa, por exemplo.

Mais do que tudo isso, o sonho de Hastings é ver a Netflix não apenas apresentando o mesmo conteúdo em todo o globo, mas também vê-la disponível em qualquer país. Para ele, muitos dos usuários de VPN o fazem por, simplesmente, não terem uma versão oficial da plataforma em seu país, mas mesmo assim, estarem dispostos a pagar pelo conteúdo. Dessa maneira, não seria justo impedi-los de fazer isso.

Hoje, isso ainda não é possível justamente devido aos fatores citados anteriormente. Muitos shows disponíveis na plataforma são específicos para um determinado país, ou têm lançamento segmentado, chegando mais cedo ou mais tarde a outros territórios. É uma prática comum na indústria, que torna o uso dos VPNs um problema, e ao mesmo tempo, dificulta a concretização do sonho do executivo. Mas ele acredita que, com a força de sua empresa, pode ser capaz de mudar esse cenário em longo prazo.

Para exemplificar isso, o CEO citou o caso da Austrália, país que recebe a Netflix nesta semana e, de acordo com os dados internos, seria um dos campeões mundiais em acesso por VPN. Muita gente, por lá, utilizava as redes privadas e os ocultadores de IPs para utilizar as versões americana ou europeia do serviço, e agora, passa a contar com conteúdos localizados, além de produções nacionais e suporte dedicado, como já acontece em diversos outros territórios.

Para ele, até agora, os australianos eram pessoas que queriam pagar, mas não podiam fazer isso localmente. É o caso, também, de muitos outros usuários de redes privadas em diversos países – eles assinam a plataforma, mas desfrutam do portfólio de outros territórios. Todos são clientes, e têm necessidades que precisam ser abordadas.

Essa, para Hastings, é a maneira de não apenas minimizar significativamente o uso do VPN, mas também atacar a pirataria em si. Essa, sim, é que deveria ser um grande problema, uma vez que estamos falando dos usuários que não querem pagar, mas ainda assim ter acesso ao conteúdo. Trata-se de uma mudança de cultura e abordagem, algo que deve levar ainda mais tempo do que a alteração nas formas pelas quais os contratos de licenciamento acontecem.

E, para esse segundo aspecto, o CEO do Netflix não apresentou uma possibilidade. Ele fala, apenas, que a plataforma – e não apenas ela, mas todos que trabalham com streaming de vídeo – precisa “consertar o conteúdo global”. E mais uma vez, a solução passa por entender exatamente o que tais usuários querem e entregar exatamente isso a todos eles.

Fonte: Gizmodo. Via IDG Now.