Manifestações: às pressas, governo cria rede para monitorar a Internet no país

Por Redação | 20 de Junho de 2013 às 12h39

A internet brasileira está sendo monitorada pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) em uma operação montada às pressas para que o governo e as autoridades se preparem para as manifestações que estão sendo combinadas por meio da web.

De acordo com informações divulgadas pelo jornal O Estado de S. Paulo, oficiais designados pela Abin estão acompanhando a movimentação de ativistas no Facebook, Twitter, Instagram e WhatsApp. Para monitorar a internet, a Abin utiliza um sistema online chamado 'Mosaico' que acompanha cerca de 700 temas definidos pelo ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general José Elito.

A ideia é tentar se preparar para as manifestações, e, de acordo com o jornal paulista, "os oficiais da agência tentam antecipar o roteiro e o tamanho dos protestos, infiltrações de grupos políticos e até supostos financiamentos dos eventos".

Quem é a Abin?

A Abin é o órgão central do Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin), responsável por assessorar a Presidência da República assegurando-lhe o conhecimento de fatos e situações relacionados ao bem-estar da sociedade e ao desenvolvimento e segurança do país. O sigilo dos nomes dos integrantes da Abin é garantido por lei.

Há cerca de dois meses, os agentes estão focados em realizar a segurança da Copa das Confederações, e isso resultou em uma crise no GSI, já que o Planalto não foi alertado pela Abin sobre a organização dos protestos que tomaram diversos cantos do país na última semana, inclusive o próprio Palácio do Planalto. Esse é um dos motivos que levaram o governo a criar a rede de monitoramento na última quarta-feira (19).

Caso de espionagem

A medida de monitoramento da internet foi tomada poucos dias depois de a Abin ser acusada de se envolver em um suposto caso de espionagem, em operação no Porto de Suape, em Pernambuco. O alvo seria o governador do Estado e potencial adversário da presidente Dilma Rousseff nas eleições de 2014, Eduardo Campos (PSB). Por meio de uma nota oficial, o GSI negou todas as acusações.

Tarifas do transporte público

O governo federal implementou, recentemente, várias medidas para reduzir os custos de toda a cadeia do transporte público, desde a fabricação de ônibus e vagões de metrô até os serviços de transporte, passando pela compra de combustíveis e outros insumos utilizados pelo setor. As principais medidas tomadas foram divulgadas no blog oficial do Planalto.

Porém, o secretário nacional de Articulação Social da Secretaria-Geral da Presidência da República, Paulo Maldos, se manifestou dizendo que não acredita que os protestos irão parar, mesmo após a redução do preço das tarifas de transporte público.

Ele acredita que a inclusão social oferecida pelo governo do PT nos últimos 10 anos está relacionada com as manifestações. "São setores que foram incluídos socialmente e estão cobrando mais coisas. Entraram no sistema, receberam um serviço e estão reclamando porque acham que ele não está bom. Eles têm todo o direito de achar que não está bom", comentou o secretário.

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