Livro de Eric Schmidt, executivo do Google, critica papel da China na internet

Por Redação | 04.02.2013 às 18:18

Eric Schmidt, chefe executivo do Google, tem se mostrado muito interessado nas políticas de países autoritários com relação à internet e seu uso por parte da população local, tanto que o executivo viajou recentemente até a Coreia do Norte. No entanto, Schmidt também está envolvido em outros projetos como um livro que critica o papel da China e do Twitter na internet, intitulado 'Nova Era Digital'.

O The Wall Street Journal teve acesso a alguns trechos do livro de Schmidt, escrito em parceria com Jared Cohen, também do Google, e mostra que o título dedica muitas páginas a falar sobre o país asiático e sua posição com relação à internet. O livro repete diversas vezes que a China é uma superpotência perigosa e ameaçadora, já que suas empresas e governo estão dispostos a cometer ataques virtuais para conseguir atingir suas metas.

"A disparidade entre as empresas americanas e chinesas e suas táticas vai colocar tanto o governo como as empresas dos Estados Unidos em uma distinta desvantagem... e os Estados Unidos não vão seguir o mesmo caminho de espionagem corporativa digital, já que as leis são muito mais rigorosas (e melhor aplicadas) e a concorrência ilícita viola o senso americano de fair play (jogo justo, em tradução livre)", afirma um trecho do livro.

Os autores ainda se referem ao crescimento da Huawei no mercado mundial, fazendo com que a influência do mercado chinês se espalhe ainda mais pelo mundo. Com base nos recentes casos de ataques virtuais chineses, Eric Schimidt e Jared Cohen garantem que a China é um dos hackers "mais sofisticados e prolíficos" em seus ataques contra empresas estrangeiras.

E não é somente a China que foi criticada pelos escritores, os Estados Unidos também. O 'Nova Era Digital', que será lançado em abril, critica o governo norte-americano de auxiliar na ciberespionagem em países que não prezam pelos direitos humanos. O Twitter também aparece entre as páginas do livro com alusões de que a empresa "não consegue produzir análises mais do que um macaco consegue digitar uma obra de Shakespeare" - referindo-se à teoria do macaco infinito, onde um macaco imortal digitando em um teclado aleatoriamente, em algum dado momento irá criar um texto qualquer como a obra completa de William Shakespeare.

Além disso, os executivos do Google acreditam que no futuro muitos países lutarão pelo fim do anonimato na internet, para garantir um controle maior dos cidadãos tanto na vida real como na online.