Julian Assange diz que sede do WikiLeaks pode se mudar para o Brasil

Por Redação | 23.02.2015 às 16:00

Vivendo há quase cinco anos na Embaixada do Equador em Londres, na Inglaterra, Julian Assange declarou que gostaria de mudar a sede do WikiLeaks para o Brasil. A declaração foi concedida à Revista Fórum, que entrevistou Assange por e-mail.

De acordo com Assange, o principal motivo para hospedar o site por aqui seria a aprovação do Marco Civil da Internet, sancionado pela presidente Dilma Rousseff no primeiro semestre do ano passado. Ele também acredita que os usuários, mais especificamente os brasileiros, "precisam lutar para criar um ambiente que seja ‘habitável’ para o WikiLeaks", ou seja, "que projeta a criptografia e o anonimato na rede". "O Marco Civil da Internet é um passo importante neste sentido para que possamos mudar nossa sede para o Brasil", disse.

O WikiLeaks é um site fundado por Julian Assange para revelar informações confidenciais de interesse público, especialmente dados de governos. O site ficou conhecido mundialmente em 2010, quando divulgou segredos do exército dos EUA e documentos diplomáticos. Um dos delatores é o ex-soldado Bradley Manning - que mudou de sexo e agora se chama Chelsea Elizabeth Manning -, que foi considerado culpado por fornecer informações a Assange e condenado a 35 anos de prisão.

Desde junho de 2012, Assange vive um impasse internacional e se encontra abrigado na embaixada do Equador, em Londres. Ele é acusado de crimes sexuais na Suécia e, se deixar seu local de asilo, será extraditado para responder judicialmente as infrações. O ativista nega as acusações e afirma que elas foram forjadas com motivação política, como uma represália pela revelação de documentos secretos.

Contra o Google

Na entrevista à Forum, Assange também comentou sobre seu novo livro, "Quando o Google encontrou o WikiLeaks", que ganhará uma versão em português. No texto, ele descreve suas conversas com Eric Schmidt, presidente da corporação, e outros integrantes da empresa a respeito da comunicação global e coleta de dados dos usuários - em específico o monopólio da companhia em todo o mundo. Segundo Assange, empresas como Google e entidades governamentais, como a Agência de Segurança Nacional (NSA) dos EUA, têm contribuído para manchar a revolução benéfica causada pela internet.

"A internet é uma habilidade sem precedentes para o mundo se comunicar através das fronteiras e isso significa que precisamos nos educar sobre como realmente é a civilização humana e nosso lugar na Terra. (...) A invasão dessas organizações (Google, NSA) ao espaço educacional da civilização humana é uma tragédia. É como se a revolução tivesse sido traída", afirma.

O ativista ainda questiona se é possível existir apenas um Google no mundo e defende a ideia de que um mesmo mecanismo pode ter variáveis em cada casa, cidade e nações menores. Para ele, é preciso tirar o controle total de uma única empresa sobre um determinado sistema - no caso do Google, as buscas virtuais. "A tecnologia da internet também pode ser mais parecida com um rifle, no qual podem existir centenas ou milhares de fabricantes e cada rifle pode ser empunhado por um individuo para aumentar sua força física. Isso seria tecnologia democrática, não uma tecnologia centralizada".