Inteligência artificial: a sociedade da internet das coisas

Por Colaborador externo | 20.01.2014 às 15:26

Por Dane Avanzi*

No início de 2006, ao ler "2015, como viveremos", de autoria de Ethevaldo Siqueira, pensei: como essa realidade ainda está longe... Hoje, quase uma década depois, arrumando minha biblioteca me deparei com o mesmo livro e me pus a folheá-lo. Fiquei espantado em ver como os prognósticos de oito anos atrás – um tanto quanto visionários – se converteram de ficção científica em realidade.

Senão vejamos. Nossos smartphones possuem maior capacidade de armazenamento e processamentos de dados que os melhores computadores da época da publicação do livro. As casas em que vivemos possuem um nível de informatização e automação capazes de ligar banheiras, luzes e uma infinidade de eletrodomésticos, por controle de voz. Poderosas redes de comunicações garantem que estudemos e trabalhemos em qualquer parte e a qualquer hora.

Muitos são os desafios da internet das coisas, desde os mais básicos, como matriz energética e espectro radioelétrico, como os mais complexos, que implicam integrar as várias camadas de sistemas de comunicação, interação e coordenação entre dispositivos. Para tanto, penso que é indispensável a criação de um fórum mundial onde todos os players envolvidos no assunto conversem e troquem informações.

Hoje a mobilidade é suportada por empresas operadoras de telecomunicações, que têm como principais parceiros as empresas fabricantes de telefones celulares e de infraestrutura. Num futuro próximo outras indústrias devem se integrar ao processo. Considerando que o conceito principal da internet das coisas é a introdução de softwares e integração com rede Wi-Fi de qualquer tipo, de eletrodoméstico a veículos sem motorista, a revolução que está por vir é sem precedentes.

De todas as indústrias, a de veículos automotores é a mais avançada. O Google Driverless Car, o carro sem condutor, já é realidade. A companhia tem instalado o seu equipamento em carros já existentes como o Toyota Prius e o Audi TT com resultados notáveis em termos de segurança. Para se ter uma ideia, as autoridades do estado de Nevada, nos EUA, aprovaram no ano passado uma lei que permite que os carros sem motoristas possam circular por vias públicas.

Outros projetos interessantes, como o Google Glass, virão com aplicativos peculiares integrados, que permitirão desde caminhar num jardim e ver os nomes das plantas até usar este novo dispositivo para saber o preço dos carros estacionados na rua.

Tudo que foi mencionado acima, no entanto, trata-se de um mero prenúncio daquilo que ainda está por vir. A internet das coisas, combinada com a nanotecnologia e o avanço da neurociência, construirão uma nova sociedade. Vejamos a área da biologia com o projeto genoma, que pretende mapear toda a estrutura de DNA do ser humano e a partir daí curar doenças em sua raiz. As impressoras 3D capazes de imprimir órgãos, dentre tantas outras maravilhas. Em breve teremos robôs capazes de perceber e até sentir, como o Hal 9000, personagem do filme "2001: Uma Odisseia no Espaço", da obra de Arthur C. Clarck, que costumava dizer: "qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível da mágica”. Quem viver, verá.

* Dane Avanzi é advogado, empresário do setor de engenharia civil, elétrica e de telecomunicações. É diretor superintendente do Instituto Avanzi, ONG de defesa dos direitos do consumidor de telecomunicações e vice-presidente da Aerbras - Associação das Empresas de Radiocomunicação do Brasil.