Contra Twitter, governo turco bloqueia também o acesso ao DNS do Google

Por Redação | 24.03.2014 às 11:32 - atualizado em 24.03.2014 às 15:52

Na última quinta-feira (20) o governo da Turquia bloqueou o acesso ao Twitter para a população, horas depois do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan prometer, em um comício eleitoral, que iria "erradicar" a rede social do país. Não demorou para que maneiras alternativas de acesso começassem a surgir. O próprio Twitter chegou a publicar, em sua conta oficial, alguns números de SMS para que as pessoas pudessem acessar através dos seus celulares.

De acordo com o site Electronista, agora, para impedir que os cidadãos turcos burlem o bloqueio e acessem o Twitter de formas alternativas, o governo bloqueou neste sábado (22) o acesso ao serviço de DNS do Google. Apesar disso, alguns cidadãos relataram que já há novas alternativas para acessar o Twitter espalhadas entre a população.

O motivo para o bloqueio do Twitter foi a recusa da empresa em acatar uma ordem judicial da Turquia, que ordenava o bloqueio de links que continham denúncias de corrupção contra o governo local. Entre os links estavam conversas telefônicas entre Erdogan e sua equipe que, supostamente, demonstram atos de corrupção. O governo turco chegou a sugerir que o bloqueio poderia ser encerrado caso o Twitter cumprisse as ordens judiciais e nomeasse um representante da empresa no país.

O Estados Unidos publicou um comunicado no qual se diz muito preocupado com toda a situação que "vai contra a liberdade de expressão do povo turco e contra os princípios da democracia que os Estados Unidos defendem ao redor de todo o mundo". Mas, apesar das críticas de outros países, os bloqueios na Turquia podem não parar por aí. Erdogan já declarou que também pode banir sites como Facebook e Youtube. Segundo ele, essas redes têm sido usadas por seus inimigos para desacreditar o governo.

Segundo o Wall Street Journal, o próximo alvo imediato pode ser o Youtube, pois há algum tempo o Google vem ignorando os pedidos do governo turco para que certos vídeos sejam retirados do ar. Se isso acontecer, não será o primeiro bloqueio que o Youtube sofre na Turquia.

Em 2008 e 2010 a rede foi bloqueada por conter vídeos que o governo considerou desrespeitosos para os costumes locais. Sobre o risco de um novo bloqueio, o Google emitiu uma nota oficial onde diz apenas que "apoiamos uma internet livre e aberta por todo o mundo e estamos preocupados com qualquer lugar onde essa liberdade esteja ameaçada".