Governo dos EUA tem acesso a informações de nove empresas de internet

Por Redação | 07.06.2013 às 15:15

A Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos e o FBI possuem estreitas relações e têm acesso direto aos servidores de nove empresas de internet que são sediadas no país, o que garante ao órgão a possibilidade de consultar fotos, vídeos, e-mails entre outras informações de todos os usuários dos serviços, como informa uma reportagem do jornal The Washington Post.

O programa secreto do governo, intitulado Prisma, está em operação desde 2007 e a Microsoft foi a primeira a ingressar no esquema no ano de seu lançamento, seguida em 2008 pelo Yahoo!. Facebook, Google e PalTalk entraram para o programa em 2009; o YouTube em 2010; Skype e AOL em 2011 e a última a ingressar foi a Apple, no ano passado. A notícia indica que o governo de Barack Obama está mesmo muito interessado em vasculhar a vida de milhares de pessoas e, como muitas publicações afirmam, está indo contra os direitos civis dos norte-americanos.

Segundo informações fornecidas por um funcionário da agência ao jornal, atualmente, os provedores de internet são o principal mecanismo para o órgão obter dados sobre os cidadãos. O funcionário, que se espantou com a forma grosseira de invasão de privacidade cometida pelo órgão, afirmou que "eles podem literalmente ver suas ideias se formando no momento em que você as digita".

A prática de coleta de dados começou ainda durante o governo de George W. Bush, logo após os atentados às Torres Gêmeas em Nova York pela Al Qaeda, em 2001. Obama, por sua vez, criticou o método na época em que ainda era senador, alegando que a prática feria todas as liberdades civis, e chegou a prometer que não haveria mais espionagem de cidadãos que não são suspeitos ou que cometeram qualquer crime. No entanto, o atual presidente, antes crítico ao sistema, não cumpriu a promessa de acabar com o esquema.

Agência Nacional de Segurança dos EUA

Reprodução: New Yorker

À agência de notícias Reuters, um dos funcionários do governo Barack Obama afirmou que apenas os cidadãos não americanos são investigados e têm seus dados coletados a partir dos servidores das empresas de internet, e que a legislação dos Estados Unidos proíbe que qualquer indivíduo residente no país tenha seus dados vasculhados pelo programa Prisma. O governo do país afirma que o método é usado para defender a nação de inúmeras ameaças externas.

Em contrapartida às revelações, as empresas de tecnologia listadas como coloboradoras do programa afirmaram em notas oficiais que nenhum órgão governamental tem acesso aos seus servidores, como foi noticiado. O Google afirmou que disponibiliza informações de seus usuários "de acordo com a lei" e revisa "todas as solicitações atentamente".

"Algumas vezes as pessoas alegam que nós criamos uma 'porta dos fundos' do governo em nossos sistemas, mas o Google não tem nenhuma 'porta dos fundos' para o governo acessar dados particulares dos usuários", ressaltou um porta-voz da empresa.

O Facebook, por meio de Joe Sullivan, chefe de segurança da empresa, também afirmou que nenhuma instituição governamental tem acesso aos seus servidores. "Quando ao Facebook são solicitados dados ou informações sobre indivíduos específicos, nós analisamos atentamente a solicitação, em conformidade com toda a legislação aplicável, e só fornecemos a informação na extensão requerida pela lei", disse.

"Nunca ouvimos falar sobre o Prisma", afirmou o porta-voz da Apple Steve Dowling. "Nós não fornecemos a nenhuma agência do governo acesso direto aos nossos servidores, e qualquer solicitação de dados dos usuários deve ter uma ordem judicial". O jornal The Washington Post ainda destacou que o Twitter se mantém fora da lista de supostos colaboradores do esquema.