Exército brasileiro vai monitorar redes sociais durante a visita do Papa ao país

Por Redação | 18.07.2013 às 11:52

O Centro de Defesa Cibernética do Exército (CDCiber) vai monitorar as redes sociais, principalmente o Facebook, durante visita do Papa Francisco ao Brasil para garantir a segurança do Pontífice durante a Jornada Mundial da Juventude, que começa na próxima segunda-feira (22).

Esta não será a primeira vez que o Exército brasileiro utilizará a tecnologia para monitorar ações consideradas suspeitas nas redes sociais. Durante a conferência Rio+20 e a Copa das Confederações, e até mesmo durante as manifestações no país, o CDCiber também estava atuando no monitoramento da Internet.

"Os resultados obtidos na Rio+20 levaram o governo a empregar o Cdciber nos grandes eventos, como a Copa das Confederações e, agora, a Jornada Mundial da Juventude. E já temos nossa ação planejada na Copa do Mundo, em 2014", disse o general José Carlos dos Santos, militar à frente do centro, ao portal G1.

De acordo com o general, um software comprado da empresa catarinense Dígitro é responsável pelo monitoramento de sites como Facebook e Twitter, por exemplo. O programa faz uma "filtragem das informações de interesse para a segurança pública" por meio de "grupos de palavras e expressões".

Porém, o Exército garante que as informações filtradas pelo sistema são apenas de "fonte aberta", ou seja, apenas aquilo que o usuário compartilha com toda a rede, nada de mensagens privadas ou chats. "Não teve nenhum contato com prestadores de serviços nessa área, nenhum contato com servidores de e-mail ou com companhias telefônicas", explica o general.

Durante as manifestações que aconteceram no Distrito Federal durante a Copa das Confederações, por exemplo, o Exército encontrou nas redes sociais instruções de como fazer coquetéis molotov, como usar bolinhas de gude para dificultar a atuação da cavalaria de polícias militares e orientação do uso de máscara contra gás lacrimogêneo e gás pimenta.

As informações foram repassadas à polícia militar do Distrito Federal, que realizou revistas em mochilas e sacolas de manifestantes a fim de encontrar aquilo que foi descrito nas redes sociais. "Realmente, a quantidade de material desse tipo foi considerável", afirmou o general José Carlos.

Um grupo que está sob a mira direta do CDCiber é o Anonymous. De acordo com o general, o grupo hacktivista está "atuando diretamente na coordenação de esforço cibernético e, inclusive, tentando corromper redes envolvidas com eventos, fazendo ataques de negação de serviço".

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