Executivo aponta tendências que devem puxar Ethernet na América Latina em 2014

Por Rafael Romer | 20 de Fevereiro de 2014 às 09h00

Apesar de já ser considerado há anos o modelo que vem padronizando as infraestruturas de rede para tráfego de dados, o mercado de redes Ethernet não dá sinais de desaceleração nos próximos anos. Pelo contrário, puxado principalmente por sua versatilidade para a expansão de transferência de dados, escalabilidade e segurança, pesquisas de mercado mostram que o protocolo deve continuar em crescimento globalmente. No final de 2011, a analista de mercado Ovum estimou que o setor deverá ultrapassar a marca de US$ 62 bilhões até 2018.

Atualmente, uma série de empresas atuam com soluções de Ethernet e mantém uma atenção redobrada aos mercados menos maduros na adoção do padrão, que podem render um potencial maior de expansão desse tipo de rede. Baseada em Hanover, Maryland, a fornecedora de equipamentos de rede e telecomunicações Ciena é uma das que mostra um interesse especial em regiões como a América Latina e Caribe, mirando em expandir a base de cerca de 100 clientes que possui atualmente na região. "Definitivamente o Brasil é um dos pontos centrais para o crescimento da região onde a Ciena está focada para levar essas tecnologias", afirmou Hector Silva, CTO e Líder de Vendas Estratégicas para a América Latina da Ciena, em entrevista ao Canaltech.

No início deste ano, a empresa divulgou as principais tendências que acredita que serão as responsáveis por puxar o mercado Carrier Ethernet na região da América Latina e Caribe. Atualmente, a empresa trabalha em parceria com operadores de Telecom, de serviços de cabo, governos e empresas.

O crescimento da adoção do padrão Ethernet já é um fenômeno observado por analistas de mercado há algum tempo, mas só em 2012 a largura de banda Ethernet superou em nível global a largura de banda do modelo considerado por muitos como o seu antecessor, os chamados serviços de Multiplexação por Divisão de Tempo (TDM), também conhecidos como serviços de legado - como divulgou a consultoria Vertical Systems Group à época. Em 2003, os serviços de dados legados constituíam 93% da banda larga mundial e a mesma consultoria estimou no ano passado que, até 2017, a conexão Ethernet deve representar 75% do total global.

De acordo com Silva, conforme cresce a demanda por banda para aplicações que exigem grande fluxo de dados, como disaster recovery, vídeos em alta definição e computação em nuvem, a Ethernet deve ganhar mais espaço em detrimento dos sistemas TDM. "Há um processo, a tecnologia de Carrier Ethernet não nasceu ontem e tem se amadurecido com o tempo", explica Silva. "Houve melhoras a algumas funcionalidades que deram às empresas confiança o suficiente de que é uma tecnologia que as dá um custo e escalabilidade melhores quando comparados com outras".

O executivo ainda acredita que o mercado de Carrier Ethernet deve ver um avanço no uso de redes baseadas nos chamados pacotes para redistribuição de tempo neste ano, que foi considerado durante por muito tempo um dos pontos de resistência à tecnologia. Tradicionalmente, diferente dos serviços TDM, as redes de Ethernet não eram capazes de proporcionar que todos os pontos de conexão e redistribuição da rede pudessem depender da presença de tempo e frequência da rede de forma sincronizada. O problema está sendo solucionado com tecnologias de rede baseadas em pacotes, com protocolos como o SyncE e 1588v2, que tem como função sincronizar os relógios através de uma rede de computadores, e têm aumentado o interesse pela adoção da tecnologia Ethernet.

Outra tendência que deve puxar o mercado de Ethernet, de acordo com o executivo, é o avanço da preocupação da confiabilidade e capacidade de alta segurança das redes. "Isso tem impulsionado muito a modernização", explica. Para Silva, redes confiáveis se tornam cada vez mais fundamentais não só para a estabilidade de negócio, mas tornam-se fator-chave de crescimento para as empresas. Desta forma, empresas devem se voltar para o modelo conforme a necessidade de redes robustas que suportem aplicativos críticos avança.

A conversão acelerada de recursos de hardware para entidades baseadas em software, através do chamado processo de virtualização, também deve promover a adoção da arquitetura. De acordo com uma pesquisa divulgada pela empresa no final do ano passado, o número de cargas de trabalho virtualizadas em data centers deve crescer de 8%, em 2013, para 60% até o final deste ano. Por serem mais flexíveis do que manter servidores próprios, o modelo de hospedagem é mais barato e escalável para empresas e quando aliado à Carrier Ethernet permite que partes críticas do ecossistema de rede fiquem separadas da plataforma de roteamento, explica o executivo.

E ao lado da virtualização, outra tendência que traz flexibilidade e pode reforçar o avanço da arquitetura Ethernet são as chamadas Redes Definidas por Software (SDNs), explica Silva. Através da adoção de softwares montados sobre infraestruturas de rede que permitem requisições automáticas para gerenciamento das redes, as SDNs permitem que a TI modifique configurações de uma rede corporativa de maneira muito mais eficiente, sem a necessidade de mudanças físicas.

Na última sexta-feira (14), a Ciena anunciou uma nova parceria global com a provedora de serviços e infraestrutura de telecomunicação Ericsson focada na expansão de oferta de redes SDNs. Para a empresa norte-americana, o acordo permite o acesso à larga base de clientes da Ericsson, que atualmente atinge cerca de 40% de todo o tráfego de redes do mundo, segundo estimativas da própria Ericsson. "Ou seja, já estamos no ponto no qual já falamos de redes confiáveis, especializadas e com pacotes de custo pensado", afirma. "A questão agora é como podemos adicionar mais serviços à esta rede".

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