Criador do pop-up pede desculpas pela invenção; 'intenções eram boas'

Por Redação | 15.08.2014 às 17:56

Ao contrário de muitos figurões da indústria da informática, Ethan Zuckerman não ficou famoso por uma companhia, um site interessante ou uma rede social, mas sim por ter inventado um dos recursos mais irritantes da história da Internet: as janelas pop-ups.

Nesta quinta-feira (14), praticamente 20 anos depois da invenção, o atual diretor do Centro de Mídia Cívica do MIT veio a público através de um artigo publicado pelo The Atlantic para se desculpar pelo que fez. Segundo ele, na época ninguém fazia ideia de que aquilo se tornaria algo tão odiado por todo o mundo e que, na verdade, ele tinha boas intenções com a janelinha que chateia milhares de usuários até hoje.

Na publicação, ele explica que nos anos 1990 ainda não havia um esquema de anúncio online tão sofisticado quanto o do Google e que praticamente toda publicidade era feita com base no histórico de navegação dos usuários. O problema é que o sistema tinha seus gargalos e algumas empresas começaram a perceber que suas marcas estavam aparecendo em sites inaproriados, como os de conteúdo erótico. E é claro que nenhum negócio gostaria de ser associado a sites pornôs se não fazem parte do ramo.

À época, Zuckerman trabalhava para o Tripod e foi contatado por uma série dessas empresas, que lhe pediam uma solução rápida para o caso. De acordo com ele, ao término do primeiro dia ele tinha criado "uma das mais irritantes ferramentas de anúncio do mundo: o pop-up". A ideia inicialmente era simples: manter o mesmo sistema de análise de histórico de navegação do usuário, mas retirar o anúncio da página e exibi-lo em outra janela para que uma marca não fosse associada a outra.

"Foi uma forma de associar um anúncio a uma página visitada pelo usuário sem associar as marcas diretamente entre si", explicou Zuckerman. "Foi simples e eu só tive que escrever algumas linhas de código para fazer o anúncio aparecer em uma outra janela".

Algumas semanas depois, o Geocities se apropriou da criação de Zuckerman. Disseminando os anúncios nos sites gratuitos hospedados pelo serviço, ele acabou criando o negócio de anúncios online. "O resto vocês já sabem e eu peço desculpas por isso. As nossas intenções eram boas", desculpou-se o ex-programador.