Co-fundador da Apple defende a neutralidade na internet

Por Redação | 19.05.2014 às 14:37

Os ativistas pela neutralidade da internet nos Estados Unidos ganharam um grande aliado na luta contra as gigantes das telecomunicações. Steve Wozniak, co-fundador da Apple, defendeu em carta aberta endereçada à FCC (Federal Communications Commission) a neutralidade da rede como um modelo que garante mais liberdade para as pessoas.

No documento, Wozniak percorre sua história com as teles e conta as várias dores de cabeça que teve como resultado do monopólio de políticas corporativistas do governo.

Descrevendo o controle de velocidade de acesso à internet como similar à faturação dos bits processados por um computador, Wozniak afirma que tomar a Internet das mãos dos indivíduos e passá-la para as corporações vai destruir grande parte da liberdade que a rede ajudou a construir.

"Imagine que quando nós começamos a Apple tivéssemos definido as coisas de modo que pudéssemos cobrar dos nossos compradores de acordo com o número de bits utilizado. A revolução do computador pessoal teria sido adiada uma década ou mais. Se eu tivesse que pagar por cada bit que eu usei no meu microprocessador 6502, eu não teria sido capaz de construir meus próprios computadores".

Woz diz ainda: "Nós temos pouquíssimas agências governamentais que levam o ponto de vista do povo em consideração. A FCC é uma dessas agências (...). Não é só a ação atual sobre a neutralidade da rede um dos momentos mais importantes de todos os tempos para a FCC, é provavelmente a mais importante ação de qualquer órgão do governo em tempos memoráveis em termos de definição de nossa percepção do que o governo representa: os poderes ricos ou o cidadão comum, se o governo é bom ou é ruim. Esta decisão é importante para além do domínio da própria FCC".

A FCC votou recentemente para avançar com um projeto que os críticos dizem que poderia resultar na criação de uma internet socialmente desigual, com uma "pista lenta" para aqueles que não podem pagar por um pacote mais abrangente.

Leia aqui, na íntegra, a carta escrita por Steve Wozniak (em inglês).