Circle quer tornar o uso de Bitcoins mais simples e 'amigável'

Por Redação | 16.05.2014 às 16:45 - atualizado em 16.05.2014 às 23:23

Desde o fim do MtGox, no início do ano, a comunidade das criptomoedas está balançada. Enquanto as Bitcoins começam a perder espaço para outros dinheiros virtuais do tipo, como o Dogecoin, novas propostas surgem para tentar reverter a situação e tornar o mundo das finanças digitais mais amigável. Entre elas está a Circle, uma startup com investimento de US$ 26 milhões que abre suas portas em um lançamento limitado.

O serviço promete ser uma alternativa mais simples e “amigável” às Bitcoins, oferecendo serviços de armazenamento e conversão de moedas sem taxas ou complicações. O diferencial é que o serviço é suportado por uma bela camada de segurança, já que os responsáveis por ele afirmam que todas as chaves criptográficas dos usuários são armazenadas de maneira isolada e, sendo assim, ficam fora do alcance de hackers.

Fazendo uma aposta arriscada, o banco garante que os depósitos e transações realizadas por seus clientes estão 100% seguros e que qualquer pessoa, que não o próprio dono do dinheiro, que tentar acessar os fundos necessitará de múltiplas assinaturas digitais para conseguir o feito. É um sistema de segurança que age em diversas camadas e, claro, não é divulgado em detalhes como forma de proteger a própria integridade.

A confiabilidade do novo serviço vem apoiada por um nome conhecido: Jeremy Allaire, que trabalhou na equipe de criação da tecnologia Flash e fundou a plataforma de compartilhamento de vídeos Brightcove. Agora, segundo o The Verge, ele chega ao mundo das criptomoedas com o desejo de tornar a utilização delas mais simples e fomentar o uso por pessoas comuns ao invés de focar no dinheiro virtual como especulação financeira e uma forma de investimento.

Com uma interface simples, o Circle oferece funções de depósito e retirada de dinheiro, além de permitir que os usuários enviem ou recebam fundos entre si. Todo o histórico de transações pode ser acessado facilmente e o serviço ainda oferece opções de conexão a contas bancárias e cartões de crédito, facilitando a integração a outros serviços bancários e exigindo que todas as promessas relacionadas à segurança realmente sejam cumpridas.

A ideia, segundo Allaire, é fazer com que os usuários enxerguem nas Bitcoins uma forma “conveniente” de realizar transações. Para o criador, isso também passa pelo uso dos sistemas financeiros comuns. Com o tempo, porém, a ideia é que as pessoas vejam as facilidades proporcionadas pelo sistema e pela criptomoeda e passem a trabalhar mais e mais com eles.

Desafios pela frente

Apesar de ter os Estados Unidos como seu primeiro ponto de lançamento, o Circle deve ser expandido para o exterior no futuro, apostando em países onde o sistema bancário é extremamente burocrático e complicado para fazer suas promessas valerem mais a pena. Apesar disso, há uma série de questões a ser enfrentada pela startup neste que pode ser considerado um dos momentos mais críticos desde a criação dos Bitcoins.

Sem falar da segurança de serviços ou da confiabilidade da moeda, o dinheiro virtual passa por um escrutínio pesado por parte das autoridades mundiais, que buscam formas de regular e controlar seu uso e evitar crimes como lavagem de dinheiro ou o financiamento de operações ilegais. Além disso, a moeda ainda é bastante associada a atividades obscuras e do mercado negro, um fator que pode acabar afastando o cidadão comum.

O anonimato é justamente um dos principais fatores que atraem os usuários do Bitcoin, mas é um que o Circle quer deixar de fora. "Nada de gente esquisita por aqui", afirma o serviço, que exige a verificação do endereço de e-mail e número de telefone para que a conta do usuário seja liberada para uso. A união a uma conta bancária exige ainda mais dados, como números de cartões de crédito, quatro dígitos da identidade e endereço.

Apesar do investimento milionário e da pressão por lucratividade que sempre vem logo depois de um aporte como este, Allaire diz que o foco atual não está necessariamente em ganhar dinheiro. O Circle ainda não cobra taxas sobre as conversões e transações realizadas e quer, por enquanto, que as pessoas conheçam a proposta e comecem a usar a ferramenta.

No futuro, claro, os ganhos virão e o fundador acredita que o primeiro passo disso será o trabalho com taxas e valores de conversão de fundos para retirada. Mas antes que qualquer coisa assim aconteça, a ideia dos responsáveis é que as pessoas confiem nas Bitcoins e, acima de tudo, no Circle como ferramenta para uso legítimo da criptomoeda que, certa vez, já prometeu dominar o mundo.