Cientistas propõem que antigas frequências de TV sejam usadas para "super Wi-Fi"

Por Redação | 01 de Dezembro de 2014 às 13h10

Considerando o fato de que a necessidade de se transferir arquivos via wireless aumentará exponencialmente nos próximos anos, cientistas alemães do Instituto de Tecnologia Karlsuhe (KIT) propuseram transformar algumas das frequências de TV analógicas, que se tornarão livres em breve, em bens públicos e usá-las para ampliar as redes wireless existentes, ao invés de leiloá-las para a indústria de telefonia móvel, como vem ocorrendo em vários países, incluindo o Brasil.

Os dados transmitidos por Wi-Fi através das frequências de TV antigas poderiam ser enviados por frequências mais baixas que a da maioria das redes sem fio, que geralmente trabalham nas faixas de frequência de 2 GHz ou superiores.

O estudo alemão indica que as frequências mais baixas poderiam, essencialmente, criar o que os cientistas alemães chamaram de "super Wi-Fi", cuja cobertura poderia atingir uma área muito maior que a oferecida pelos dispendiosos serviços móveis existentes, tais como a internet móvel de quarta geração (4G).

O artigo também demonstra que a liberação do "super Wi-Fi" de forma gratuita para as populações ampliaria a utilização da Internet wireless e acarretaria em inúmeros benefícios econômicos.

Aproximadamente um terço da população mundial utiliza a internet. Outra pesquisa recente apontou que 80 por cento das pessoas em 24 países diferentes acreditam que o acesso à internet deveria ser considerado um dos Direitos humanos básicos, já que representa também liberdade política e prosperidade econômica para muitos dos entrevistados.

Por sua vez, os autores do estudo alemão, Arnd Weber e Jens Elsner, afirmam que a implementação de sua abordagem para a utilização das frequências analógicas de TV traria benefícios de longo alcance. Segundo eles, "indivíduos, instituições e empresas seriam muito menos dependentes de dispendiosas redes de comunicação móveis para conduzir sua comunicação digital. O que também resultaria em grande benefício econômico". O estudo de Weber e Elsner ainda demonstra que, para além do corte de custos, o "super Wi-Fi" também favoreceria o surgimento de novas tecnologias assim como ocorreu com surgimento do Wi-Fi que utilizamos hoje. Além disso, o espectro da TV analógica serviria para comunicação em cenários de desastres.

Os dois autores apresentarão suas conclusões e propostas aos membros da ONU durante a Conferência Mundial de Radiocomunicações, na Suíça, que ocorrerá de 2 a 27 de novembro de 2015.

Apesar da própria ONU ter afirmado logo após a Primavera Árabe, em 2011, que o acesso à Internet constitui um dos Direitos Humanos básicos, não será fácil convencer os governantes dos países-membros das Nações Unidas a aderir à tese alemã.

Há muitos defensores das ideias de que as frequências de TV antiga são bens comuns – e portanto deveriam ser disponibilizadas ao público gratuitamente. Mas também há uma profusão de opositores, da qual faz parte o ganhador do último Prêmio Nobel de Economia, Ronald Coase. Para Coase, o dinheiro obtido com os leilões das frequências deve ser usado pelos diferentes governos para financiar outros serviços. Também há quem afirme que o congestionamento tornaria a utilização das frequências impraticável. Weber e Elsner, por sua vez, garantem que a abordagem tecnológica correta poderia evitar tal congestionamento.

No Brasil, o sinal da TV analógica começará a ser desligado em novembro de 2015 e o processo se estenderá até 2018. Os leilões dos sinais para empresas de telefonia móvel já estão previstos, mas dependem do desligamento oficial e serão feitos por etapas. Contudo, se os cientistas alemães forem bem-sucedidos em sua arguição na ONU, talvez ainda tenhamos chance de fazer parte dos países que terão o "super Wi-Fi" gratuito à sua disposição.

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