Caso Snowden: presidente do Equador disse que não vai ceder à pressão dos EUA

Por Redação | 28 de Junho de 2013 às 12h45

Na última quinta-feira (27), um porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos advertiu que os laços econômicos entre o Equador e EUA poderiam estar em perigo caso o país sul-americano ofereça asilo ao ex-funcionário da agência de espionagem norte-americana, Edward Snowden.

"Isso iria representar graves dificuldades para nossas relações bilaterais. Com uma visão mais geral, teria repercussões muito negativas se derem esse passo", disse o porta-voz do Departamento de Defesa dos EUA, Patrick Ventrell, durante uma coletiva de imprensa. Apesar de Ventrell ter deixado bem claro que a retirada dos acordos comerciais entre os países não é exatamente uma opção para o Equador, o presidente Rafael Correa disse que não vai ceder à pressão norte-americana.

"Diante das ameaças, insolência e arrogância de certos setores dos Estados Unidos, que pressionaram para remover as tarifas preferenciais por causa do caso Snowden, o Equador diz ao mundo que unilateralmente e de forma irrevogável está renunciando às tarifas preferenciais", declarou o presidente do Equador, de acordo com informações da rede CNN. Durante um discurso inflamado em Queveno, Equador, Correa disse ainda que "é ultrajante tentar deslegitimar um Estado por receber um pedido de asilo".

Por outro lado, o chefe da câmara de comércio do Equador criticou a decisão do governo de retirar-se do acordo de comércio como um "ato hostil" e "irresponsável". O ex-vice-presidente Blasco Peñaherrera Padilla é um forte crítico do governo de Correa, e disse ainda que a decisão teria um impacto "gravemente negativo" em seu país. O comércio entre os Estados Unidos e Equador totalizou mais de US$ 16 bilhões no ano passado, segundo dados do Censo dos EUA. Cerca de metade do comércio exterior do Equador depende dos Estados Unidos.

Asilo de Snowden

Discussões comerciais à parte, o líder equatoriano descreveu a situação de Edward Snowden como "complexa", e ainda não divulgou nenhuma resposta oficial e final a respeito do pedido de asilo do ex-funcionário da agência de espionagem norte-americana.

Durante uma coletiva de imprensa, Correa disse que o pedido de asilo de Snowden só pode ser processado se ele estiver em território equatoriano, o que inclui qualquer embaixada do país. De qualquer forma, o presidente afirmou que "isso não significa que o asilo será aprovado".

O responsável pela divulgação de documentos secretos que revelaram ao mundo o esquema de espionagem PRISM praticado pelas agências de inteligência dos Estados Unidos deixou Hong Kong no último domingo (23) e seguiu para Moscou, Rússia. A ideia era que Snowden embarcasse para Cuba na segunda-feira seguinte, porém isso não aconteceu. Autoridades da Rússia disseram que ele permanece na área de trânsito do aeroporto de Moscou. Possivelmente, ele aguarda a resposta de seu pedido de asilo feito ao Equador para decidir seu destino.

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