Câmbio de Bitcoins fecha sob acusações de esquema de pirâmide

Por Redação | 09.02.2015 às 12:46 - atualizado em 09.02.2015 às 13:04

Enquanto investidores sérios dos Estados Unidos e instituições bancárias começam a se mexer para regularizar as Bitcoins e torná-las uma alternativa real de investimento, uma notícia vinda de Hong Kong promete agitar negativamente esse mercado. A novidade nada agradável é que o MyCoin, um dos principais câmbios asiáticos de moedas virtuais, teria fechado suas portas levando consigo mais de US$ 386 milhões em dinheiro de seus investidores.

Mais do que isso, a justiça local investiga agora acusações de que a plataforma, na verdade, operava um esquema de pirâmide, oferecendo ganhos absurdos para os participantes de acordo com o aporte de dinheiro feito e a quantidade de pessoas convocadas para a rede. A promessa era de retornos de mais de 100% do valor investido, além de prêmios em dinheiro ou na forma de carros de luxo para aqueles que trouxessem mais gente para o sistema.

A possibilidade ainda não foi confirmada, mas as suspeitas ficam claras apenas observando o funcionamento do MyCoin. Em um dos contratos da empresa, revelado pelo site Business Insider, os operadores do câmbio ofereciam um retorno de US$ 129 mil para um investimento de US$ 52 mil. Esses valores poderiam ser ainda maiores caso o investidor tivesse mais pessoas em sua rede e os primeiros nesse ranking poderiam receber ainda prêmios adicionais em dinheiro ou automóveis da marca Mercedes-Benz.

Para que os usuários não desconfiassem, a plataforma afirmava que tais acordos se tratavam de contratos de “mineração”. A ideia é que o investimento permitiria à empresa comprar novos equipamentos para obtenção das moedas e quanto maior o dinheiro entregue para esse fim, mais criptodinheiro seria obtido, com uma pequena parcela ficando para a empresa e todo o restante para o usuário.

Os primeiros clientes do MyCoin efetivamente conseguiram tais rendimentos e regalias e eram incentivados a ostentar tais ganhos de forma a atrair mais gente para a suposta pirâmide. Afinal de contas, novas adesões significariam ganhos adicionais para todos, mas a tendência é que, quanto mais para baixo da pirâmide, menores seriam os benefícios até que, claro, a entrada de dinheiro fosse permanentemente encerrada.

E foi quando chegou neste momento que, suspeitam as autoridades, o MyCoin fechou suas portas. Em janeiro, a empresa fechou seus escritórios para “reformas”, mas fontes apontam que nenhuma obra estaria acontecendo por lá. Além disso, os investidores não teriam comprovantes físicos do dinheiro aplicado, uma vez que tudo funcionava a partir das contas de usuário criadas por lá. Ou seja, uma vez que o site saiu do ar, qualquer vestígio também desapareceu com ele.

Agora, as autoridades partem em busca dos criadores da plataforma e também do dinheiro dos clientes, que estaria em contas pessoais dos responsáveis. A investigação ainda está em andamento, mas desde já, a polícia pode confirmar o rombo em forma de Bitcoins, além de confirmar relatos de que alguns ludibriados chegaram a entrar em financiamentos ou hipotecas de bens pessoais para que pudessem levantar o dinheiro necessário para investir. A diferença é que, nestes casos, eles ficaram com as dívidas e não tiveram nada perto do lucro pretendido.

Em uma de suas últimas declarações oficiais, a MyCoin disse ter três mil clientes e que cada um deles, em média, teria investido US$ 130 mil no serviço.