CEO da Tesla quer lançar rede de satélites para levar internet a áreas remotas

Por Redação | 19 de Janeiro de 2015 às 11h04
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Parece que as iniciativas de levar internet de qualidade para áreas remotas do globo está se tornando mais do que uma ideia de conectividade: tudo agora parece uma grande competição. Dias após a Qualcomm se unir à Virgin e à OneWeb em um projeto desse tipo, a companhia espacial privada SpaceX anunciou planos de lançar uma rede de satélites de baixa órbita, que levarão conexões a partes isoladas do mundo sem a necessidade de fios ou outros tipos de instalação.

De acordo com o CEO da companhia, Elon Musk, a ideia é entregar velocidades semelhantes às encontradas nas fibras ópticas tradicionais, só que pelo ar e sem que seja preciso instalar a infraestrutura frágil e cara para esse fim. O projeto está orçado em US$ 10 bilhões e os satélites já estão em desenvolvimento. Segundo a Bloomberg Business Week, os satélites artificiais devem entrar em operação daqui a aproximadamente cinco anos.

As máquinas da SpaceX devem voar mais perto da Terra que outros equipamentos semelhantes. De forma a garantir conectividade, os satélites precisam estar a cerca de 1,2 mil quilômetros da superfície, bem abaixo dos outros equipamentos de comunicação que estão em operação hoje em dia. A notícia é boa, pois a região que será utilizada possui poucos objetos e, sendo assim, reduz o risco de colisões, interferências e outros problemas.

Musk afirma também que a ideia por trás do projeto não é apenas atuar de forma beneficente, mas, ao mesmo tempo, também não gerará mais dividendos para a SpaceX. O acesso por satélite, que deve ser vendido por preços baixos e acessíveis para as populações das áreas remotas, terá sua renda revertida para projetos da própria companhia espacial, de forma a atingir seus dois maiores objetivos: baratear as viagens ao espaço e chegar a Marte até 2020.

A empresa, hoje, atua em contratos bilionários de envio de suprimentos, equipamentos e outros tipos de carga para a Estação Espacial Internacional. Esse é o principal campo de operação da SpaceX no momento e, também, o grande vetor pelo qual a companhia trabalha em seus estudos, testa novas tecnologias e faz experimentos para garantir que as viagens espaciais do futuro sejam mais baratas e acessíveis para uma parcela maior de pessoas.

Como a própria companhia admite, porém, ainda estamos longe desse futuro. O foco, agora, é não apenas garantir que tudo corra bem no projeto de levar conectividade ao mundo, mas também chegar na frente de outras companhias do ramo, como o Facebook e o Google, que também estão usando seus métodos – que vão desde drones e balões de altitude até raios de luz lançados na atmosfera – para conseguir entregar internet às regiões inóspitas.

E aqui, como já dissemos, a principal rival é a aliança Qualcomm-Virgin-OneWeb. A parceria entre uma operadora, uma empresa de fabricação de equipamentos e a desenvolvedora de infraestrutura de comunicação se lançou como a com maior chance de sucesso do ramo justamente por reunir diversas expertises diferentes rumo a um objetivo comum. O investimento, aqui, está na casa dos bilhões de dólares e o método escolhido também é o dos satélites.

A SpaceX esteve envolvida na empreitada inicialmente, mas acabou deixando a união por “diferenças fundamentais” em relação à infraestrutura do serviço. E, no anúncio oficial de seu projeto próprio, Musk não hesitou em afirmar que sua ideia é muito mais avançada e sofisticada que a das rivais, justamente o motivo que levou sua companhia a deixar a aliança.

Segundo o executivo, no futuro o que se verá serão sistemas que competirão entre si, seja para chegar primeiro aos lugares ou para entregar conexões mais rápidas ou confiáveis. Para o setor, trata-se de uma competição saudável, que levará adiante esse segmento, mas, ao mesmo tempo, muitos já temem que a monetização dessas iniciativas possa levar a um resultado que acabe passando longe da acessibilidade prevista inicialmente.

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