Bots ultrapassaram visitas de humanos em sites – e estão se aprimorando

Por Redação | 19.12.2014 às 17:35 - atualizado em 05.01.2015 às 09:28

Os bots, ou robôs programados para repetir à exaustão ações parecidas com a de um ser humano, já ultrapassaram a visitação de pessoas reais em sites de todo o mundo. Essa é a conclusão de Marc Gaffan, CEO da Incapsula, companhia que vende serviços de segurança online.

O resultado da pesquisa da Incapsula, que avaliou 20 mil sites, constatou que 56% da visitação de sites em todo o mundo é realizada por meio de um bot. E esse número chega a 80% em páginas menores.

Um exemplo que mostra a "ascensão das máquinas" sobre os humanos está na história de Diogo Mônica, engenheiro de segurança da companhia de cartões de crédito Square. Cansado de buscar por reservas, sem sucesso, em restaurantes badalados de São Francisco, ele resolveu usar suas habilidades com informática para ter algumas facilidades.

O script de computador que ele criou em 2013 tinha como função verificar periodicamente o serviço de reservas online OpenTable. Diogo ordenou que o bot preenchesse vagas imediatamente disponíveis nos estabelecimentos de sua preferência.

Só que, ao checar o site de reservas, o engenheiro notou que as vagas já haviam sido preenchidas, de maneira rápida demais para ser feita por um ser humano. "É impossível para um ser humano preencher três formulários em menos de três segundos", contou Diogo à Wired, no ano passado. Com isso, chegou a apenas uma conclusão: ele estava no meio de uma guerra bot.

O que Diogo fez é, na verdade, uma prática muito comum atualmente. Como a própria pesquisa da Incapsula apontou, as páginas estão infestadas de bots o tempo todo. Isso não quer dizer, necessariamente, que todos são ruins. O Google, por exemplo, usa as aplicações automatizadas para indexar toda a web. Empresas como a do serviço de automação IFTTT e a de comunicação integrada Slacker também ajudam os usuários, tornando o mundo conectado um pouco mais personalizado, de acordo com as preferências de cada um.

Entretanto, os scripts infelizmente têm sido explorados por causas, digamos, menos nobres. Uma grande parte aproveita dos bots para comprar no eBay e, assim como Diogo, comprar ingressos de shows concorridos. Para ter uma ideia, a banda Foo Fighters certa vez chegou a vender os tíquetes somente nas bilheterias, justamente para barrar a prática dos cambistas virtuais. "Você pode esperar por isso em sites de ingressos, viagens, em ate sites de namoro", enumerou o engenheiro da Square.

A coisa piora quando Gaffan alerta para o significativo aumento de bots maliciosos, utilizados para derrubar sites, inundar espaços para comentários com spam, danificar páginas e reutilizar material sem autorização. Esse tipo de ameaça está em 20% dos scripts automatizados em toda a web e cresceu 10% em relação ao ano passado.

Muitas vezes, esses bots estão sendo executados em computadores hackeados, para ampliar o poder de ataque, e seus proprietários sequer sabem disso. E, ultimamente, estão cada vez mais sofisticados. Conseguem, por exemplo, mimetizar o Google e funcionar em navegadores. "Eles avançaram bastante na capacidade de quebrar os códigos no captcha", alerta Gaffan.

"Essencialmente, há uma evolução dos bots. Temos visto que eles estão mais predominantes ao longo dos dois últimos anos", afirma Rami Essaid, presidente da Distil Networks, empresa que vende software para bloqueio de bots.

Apesar de preocupante, esse cenário, contudo, parece estar mudando aos poucos. Em 2013, o trafego de web relacionado a ações de bots chegava a 60%, 4% a mais do que atualmente.

Fonte: http://www.wired.com/2014/12/bots-now-outnumber-humans-web/