Bem vindo ao fim da privacidade

Por Colaborador externo | 21 de Janeiro de 2014 às 06h15

Por Erick Pedretti Nobre*

Um bilhão, cento e dez milhões: esse é o número de usuários ativos da rede social mais famosa do mundo, o Facebook. Esses usuários publicam quase vinte milhões de fotos diariamente. O Twitter, segunda maior rede social, possui quinhentos milhões de usuários ativos, publicando quase 6 bilhões de mensagens mensalmente.

Não há dúvidas de que as pessoas têm necessidade de compartilhar suas ideias, seus pensamentos e até mesmo suas ações diárias. Mas o problema é que a Internet não esquece nada – uma vez que uma dada informação ou uma foto é postada, não há volta, essa informação é espalhada por diversos servidores e se torna praticamente impossível solicitar a retirada dela.

As redes sociais já fazem parte da vida de todo mundo e qualquer atitude sua hoje pode lhe render problemas no futuro. Por exemplo: você posta uma foto sua em um momento de descontração no Instagram, algum tempo depois pode te prejudicar na disputa por uma vaga de emprego. Ou uma troca de ofensas no próprio Facebook, como uma discussão com uma ex-namorada, estará visível a qualquer um. Pior ainda o Foursquare, rede social baseada em localização através do GPS do smartphone, que plota em um mapa onde os usuários estão a cada momento.

Pois é, caro leitor. Até agora me limitei às informações pessoais que cada pessoa julga pertinente serem compartilhadas, porém há o outro lado da história. Digamos que você informe seus dados pessoais para efetuar uma compra em um website, e o mesmo é invadido por uma pessoa maliciosa, que rouba essas informações e posta tudo em uma rede social. Você terá seus dados pessoais, que você não queria compartilhar, expostos para bilhões de pessoas ao redor do mundo. Agora imagine todas as informações de um país vazarem na grande rede mundial de computadores, sem ninguém poder fazer nada.

Edward Snowden é um ex-analista da inteligência americana que tornou público detalhes de vários programas altamente confidenciais de vigilância eletrônica dos governos dos Estados Unidos e Reino Unido. Snowden era um colaborador terceirizado da Agência de Segurança Nacional (NSA) e foi também funcionário da Agência Central de Inteligência (CIA).

A revelação dos documentos foi feita através dos jornais The Guardian e The Washington Post, dando detalhes da vigilância de comunicações e tráfego de informações executada pelo programa de vigilância PRISM dos Estados Unidos.

PRISM é um programa de computador existente desde 2007, que tem basicamente o objetivo de monitorar e avaliar mídias eletrônicas, podendo ter total acesso a informações armazenadas em servidores de grandes empresas, ou até mesmo acesso a informações em tempo real. Porém, para acessar os servidores dessas grandes empresas, o governo tem que possuir permissão para acessa-los.

Dito isso, acredita-se que Google, Facebook, Microsoft, Apple, Yahoo, entre outras, tenham liberado o acesso ao governo americano, sem mesmo informar aos seus usuários. Oficialmente, essas empresas informam que não participam desse programa.

O mais engraçado é que o governo dos EUA alega que toda essa espionagem é única e exclusivamente para proteger os cidadãos contra o terrorismo. Será? Tempos atrás, o mesmo Edward Snowden enviou para as agências de notícias informações concretas que o governo americano tem espionado a Petrobras. Será que a Petrobras vai bombardear a Estátua da Liberdade?

"A tática do governo americano desde o 11 de setembro é dizer que tudo é justificado pelo terrorismo, assustando o povo para que aceite essas medidas como necessárias. Mas a maior parte da espionagem que eles fazem não tem nada a ver com segurança nacional, é para obter vantagens injustas sobre outras nações em suas indústrias e comércio em acordos econômicos", disse Edward Snowden.

Documentos classificados como ultra secretos, que fazem parte de uma apresentação interna da Agência de Segurança Nacional (NSA) dos Estados Unidos, obtidos com exclusividade pela Rede Globo, mostram a presidente Dilma Rousseff e o que seriam seus principais assessores como alvo direto de espionagem da NSA.

Um dos programas usados pela NSA é conhecido como "DNI selectors", que segundo outro documento vazado por Snowden, captura tudo o que o usuário faz na internet, incluindo o conteúdo de e-mails e sites visitados. Um gráfico existente no montante dos documentos mostra toda a rede de comunicações da presidente com seus assessores.

Edward Snowden narrou para alguns jornalistas o seu trabalho diário: “Eu, sentado na mesa, poderia grampear qualquer pessoa, desde você que está me ouvindo até um juiz federal e mesmo o presidente da república, precisando apenas de um e-mail pessoal. Não quero viver num mundo onde tudo o que eu fizer e disser esteja registrado. Não é a vida que eu quero viver e isto é algo que não estou disposto a aguentar.”

Snowden está atualmente asilado na Rússia. Ele passou mais de um mês na área de trânsito do aeroporto de Moscou, enquanto as autoridades americanas tentavam prendê-lo.

Stefan Svallfors, um professor de sociologia sueco, indicou Edward Snowden para o Prêmio Nobel da Paz, em carta endereçada ao comitê organizador e publicada no jornal Västerbottens-Kuriren, da Suécia. Na carta, Svallfors escreveu que "Edward Snowden - num esforço heroico com altos custos pessoais - revelou a existência e a dimensão da vigilância que o governo dos EUA dedica às comunicações eletrônicas em todo o mundo, em violação das leis nacionais e dos acordos internacionais".

*Erick Pedretti Nobre é especialista em segurança da informação, gerenciamento, wireless, e Gerente de Desenvolvimento de Negócios na empresa CYLK.

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