Assange considera pena de Bradley Manning uma "vitória estratégica"

Por Redação | 23.08.2013 às 08:00

Fundador do WikiLeaks, Julian Assange se pronunciou sobre a pena concedida ao soldado Bradley Manning, acusado de vazar arquivos secretos norte-americanos para o projeto de transparência governamental. Asilado na embaixada equatoriana em Londres também como resultado da crise gerada pela divulgação, Assange disse considerar o desfecho do caso uma "vitória estratégica significativa".

Manning foi condenado a 35 anos de prisão e pode ganhar direito à liberdade condicional em cerca de cinco anos. Apesar de não parecer uma notícia muito boa, basta pensar que ele poderia ser condenado a 135 anos de reclusão para entender o lado positivo da história. Antes disso, o júri já havia descartado a pior possibilidade: a pena de morte.

Por meio de um comunicado divulgado pelo Democracy Now, Assange diz que "ele poderá passar um mínimo de 5,2 anos na detenção" e que "este prazo mínimo duramente conquistado representa uma vitória tática importante para a defesa de Bradley Manning".

Manning está detido desde maio de 2010 e conseguiu a redução penal graças ao seu bom comportamento. O soldado é acusado de espionagem, fraude e roubo de cerca de 700 mil documentos diplomáticos e militares confidenciais, entregues ao WikiLeaks.

Mas, apesar da comemoração discreta, Assange não deixa de criticar as medidas adotadas contra Manning. O fundador do WikiLeaks lembra que o governo dos Estados Unidos submeteu o soldado a uma prisão punitiva, algo que já foi descrito pela ONU como "cruel, desumano e degradante" e até mesmo considerado ilegal pelos tribunais militares dos EUA.

"Enquanto a defesa deve estar orgulhosa de sua vitória tática, devemos lembrar que o julgamento e a condenação do Sr. Manning é uma afronta aos conceitos básicos da justiça ocidental", criticou Assange. "A única saída justa no caso Manning é sua libertação sem condições, danos e prejuízos pelo tratamento ilegal sofrido, e um verdadeiro compromisso em favor de uma investigação sobre as más ações expostas por suas revelações", frisou.

Julian Assange vive na embaixada do Equador em Londres há cerca de um ano para evitar sua extradição para a Suécia, onde é acusado de crimes sexuais bastante duvidosos. O Wikileaks já revelou que a Suécia teria um acordo de extradição com os Estados Unidos, onde o hacker teria que encarar o governo norte-americano e poderia ser submetido a uma punição bastante forte.