Após roubo, casa de câmbio de Bitcoins está sendo investigada pelo governo

Por Redação | 27.02.2014 às 12:29

A saga MtGox ganha novos e desastrosos capítulos a cada dia que passa. Nesta quinta-feira (27), surgiram mais informações sobre as investigações que as justiças do Japão e Estados Unidos estão conduzindo sobre a casa de câmbio de Bitcoins, uma das maiores do mundo, que teve seu funcionamento interrompido após o suposto roubo de quase 750 mil moedas virtuais, que equivalem a mais de R$ 890 milhões.

Segundo informações do Wall Street Journal, reguladores financeiros do Japão estavam tentando manter distância da questão, observando a ascensão das criptomoedas à distância e deixando que a tecnologia se desenvolvesse. Agora, porém, ministérios e legisladores querem conhecer exatamente como tudo funciona e, mais do que isso, saber o que levou ao rombo que derrubou o MtGox.

Já o governo dos Estados Unidos foi ainda mais agressivo e emitiu intimações para o presidente do exchange, Mark Karpeles, e também a outros operadores de negócios relacionados às Bitcoins. O objetivo é saber como o MtGox está lidando com a atual crise e de que forma outros negócios relacionados às moedas virtuais estão preparados para lidar com esse tipo de situação. As informações são da Reuters.

Enquanto o documento faz o seu caminho do estado de Nova York até o Japão, onde Karpeles mora, uma resposta a essa pergunta veio por meio de Jon Matonis, em uma palestra durante o Mobile World Congress 2014. O diretor executivo da Fundação Bitcoin, segundo reportagem da Folha de S.Paulo, afirmou que não existia nenhum tipo de sistema de contingência preparado para uma situação como essa.

Aproveitando para dar uma cutucada em políticas governamentais contra as quais as Bitcoins foram criadas para trabalhar, ele afirmou que um problema dessa magnitude jamais aconteceria no caso de uma instituição bancária “capitalista”, com o dinheiro perdido sendo compensado com verbas públicas. Como o MtGox representa exatamente o oposto disso, não existe nenhum tipo de ajuda a caminho.

Apesar dos problemas e de uma recente queda na cotação e também no nível de confiança de investidores e usuários das Bitcoins, Matonis se mostra confiante no futuro da moeda. Para ele, o sistema é forte o suficiente para suportar falhas como essa e outras casas de câmbio ao redor do mundo devem preencher o vazio deixado pelo MtGox, o que pode inclusive representar uma boa oportunidade de negócios.

Sozinhos

Como afirmado por Matonis, parece que a ajuda realmente não virá na direção do MtGox. Em um novo post, o responsável pelo vazamento do plano de gerenciamento de crises do MtGox, agora identificado como Ryan Selkis, um dos principais investidores da moeda, afirmou que não existe nenhum interesse de investidores ou empresas externas em adquirir o exchange. Isso significa que ele, efetivamente, irá falir e, provavelmente, dará calote em uma série de usuários das Bitcoins.

Enquanto isso, investidores e entusiastas desse mercado continuam a pressionar a empresa em busca de mais explicações. Nesta quarta (26), o site do MtGox foi atualizado com uma curta nota que teria sido escrita pelo próprio CEO. No texto, Karpeles faz questão de afirmar que continua no Japão e está trabalhando para solucionar os problemas, de forma que o negócio volte a operar no futuro.

Quem trabalha com a moeda, porém, quer mais e exige uma explicação direta sobre o que exatamente aconteceu. O debate questiona se a vulnerabilidade utilizada para o roubo é parte apenas do sistema do MtGox ou se faz parte do código das Bitcoins, um fato que poderia torná-la extremamente insegura e pouco confiável. É sobre isso que todos querem ouvir uma declaração.

Selkis vai além, afirmando que vendeu toda sua carteira de Bitcoins “enquanto é tempo”. Além disso, orientou os funcionários de sua própria empresa a tomarem cuidado com as aquisições e vendas da criptomoeda. Ações como essas, em qualquer mercado, são vistas como indícios de mais problemas e, acima de tudo, dificultam ainda mais a recuperação das instituições financeiras afetadas.