A tecnologia como ferramenta educacional no Brasil

Por Colaborador externo | 20 de Dezembro de 2013 às 16h40
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Por Rodrigo Carlomagno*

Mais do que uma opção, inserir ferramentas tecnológicas na sala de aula é uma necessidade. Tablets, smartphones e computadores estão presentes em praticamente todas as casas, fazendo parte inclusive da rotina dos mais novos. Quem nunca viu uma criança de dois anos brincando com um tablet que atire a primeira pedra. A tecnologia já é parte integrante da vida destas crianças desde que elas nasceram, por isso não faz sentido tentar impedir o uso dessas ferramentas na sua rotina de aprendizagem.

Mais do que discutir se os efeitos de tantos gadgets são bons ou ruins para a educação, acho que precisamos inicialmente entender qual a real situação. Os nascidos no fim da década de 80 e começo de 90 tinham uma disciplina na grade escolar conhecida como “aula de informática”. Lá eles escreviam textos, utilizavam jogos e começavam a se familiarizar com o mundo on-line. Da porta para dentro, mouse e teclado. Da porta para fora, apenas lápis, cadernos e livros eram permitidos. Havia uma clara distinção entre o que deveria ser aprendido no on-line e no off-line.

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As primeiras aulas de informática com teor educativo surgiram muito antes, aliás, lá nos anos 70, como complementares ao curso de física da USP de São Carlos. Até então, o uso de computadores se restringia a algumas empresas, e os aparelhos computadores não eram produzidos no país. Na mesma década, o Governo Federal deu início ao estabelecimento de políticas públicas para a construção de indústria própria. A partir de 1980, as universidades passaram a desenvolver programas destinados ao ensino, e o governo também implantou subsídios para a Implantação do Programa Nacional de Informática na Educação.

Hoje as escolas estão apostando cada vez mais em trazer os recursos da tecnologia para melhorar o desempenho dos alunos em sala, aumentando seu interesse pelas aulas. Não é mais interessante separar uma hora por semana para ensinar as crianças a mexerem no computador, elas já nasceram na era digital e possuem uma facilidade e um conhecimento dos gadgets que deixa muito pai e mãe para trás. Precisamos utilizar toda esta capacidade para motivar os alunos a aprenderem de maneira divertida e participante.

Estamos no período do ano em que as propagandas de “matrículas abertas” das escolas aparecem em todos os lugares. Cada instituição busca mostrar o seu diferencial, e muitas têm apostado na tecnologia. São escolas com lousas digitais, tablets para todos os alunos, aplicativos para smartphones e conteúdos on-line.

Estamos cada vez mais conectados e esta é uma tendência sem volta. Recente pesquisa elaborada pela Mobile Marketing Association (MMA) mostra que 20% dos usuários da internet no Brasil têm menos de 18 anos. O número é ainda maior na faixa dos 18 aos 24 anos: eles são 32%. Muitos passam horas todos os dias em suas redes sociais e sites de compartilhamento de vídeos e fotos, como o YouTube e o Tumblr. Percebemos com este comportamento um fato que considero a chave para aproveitarmos melhor toda esta tecnologia: crianças e jovens gostam de participar. Os jovens, e principalmente os adolescentes, não querem se resumir a meros espectadores. Eles querem ter uma participação significativa, seja com o seu blog sobre maquiagem ou em um site colaborativo desenvolvido pela sua escola que fale sobre as mudanças climáticas.

Sabendo disso, as escolas podem e devem utilizar ferramentas tecnológicas que tornem os alunos mais participativos e interessados pelo que aprendem em sala de aula. É preciso instigar a curiosidade, estimular a pesquisa e tornar o aluno o protagonista do aprendizado a partir da assimilação de informações direcionadas na internet, ou em programas voltados à educação.

Propostas que trabalhem com vídeos são muito bem-vindas. Cada escola poderia ter um canal no YouTube com vídeos feitos pelos próprios alunos discutindo temas vistos em sala de aula ou até mesmo atualidades. Por que não conversar sobre o que passou no jornal da sua cidade? Desta forma teremos alunos muito mais informados e donos de uma postura crítica, característica que muitos dizem faltar nos jovens da nova geração.

Estes são apenas alguns exemplos de como a tecnologia pode estar presente no ambiente educacional. Quis mostrar como é possível complementar o ensino a partir da busca de ferramentas e artifícios que correspondam à realidade dos alunos. Basta frequentar o intervalo das escolas para ver o grande número de jovens acessando a rede através dos smartphones, e perceber que este é um hábito que não foge do ambiente da escola.

Claro que uma boa aula e professores capacitados e empenhados no ensino jamais poderão ser substituídos por aparelhos ou sistemas. Mas tornar a educação mais atrativa e integrada aos hábitos dos alunos só facilitará o trabalho dos profissionais envolvidos, que terão jovens mais informados e interessados pelo conteúdo disponibilizado em sala de aula. As instituições devem se manter atentas a esses programas, pois assim o ensino do Brasil só tem a ganhar.

* Rodrigo Carlomagno, da Escola Livre, projeto que visa estimular alunos do ensino médio e cursos pré-vestibulares a lerem, refletirem e adorarem uma postura crítica sobre as notícias da atualidade.

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