A era da Internet das Coisas

Por Colaborador externo | 27.03.2015 às 06:59

Por Paul Sullivan*

Desde os primórdios, ferramentas como o machado, a roda, a prensa e tecnologias avançadas como a eletricidade e computadores contribuíram para a sobrevivência e prosperidade dos seres humanos. Esse progresso se deu pelo simples fato de o homem ter facilidade em se relacionar com as ‘coisas’ ao seu redor. Porém, enquanto os seres humanos podem interagir com seus automóveis, eletrodomésticos, acessórios, entre outros, esses produtos ainda não são capazes de se comunicar entre si.

A próxima geração de produtos precisa evoluir e como tal deve ser capaz de sentir, responder e colaborar com outros produtos. Desta forma, estes novos produtos tornam-se "projetos vivos”. Por que automóveis ou mesmo outros produtos não podem atualizar seus próprios softwares para que trabalhem de forma mais eficiente? Não deveria um home system saber quando você planeja chegar em casa e ajustar as luzes e a temperatura do ambiente do jeito que você gosta? Por que não poderia um sistema público de água informar aos supervisores quando há problemas no processo?

A Internet das Coisas (ou “Internet of Things” - IoT) será o cumprimento dessa revolução tecnológica que promete unir sistemas distintos permitindo que produtos se conectem e possuam conhecimento um do outro e ainda se inter-relacionem. A partir de 2020, a Internet das Coisas será o maior mercado de dispositivos do planeta. São previstos, em todo o mundo, em torno de 200 bilhões de carros, aplicativos, maquinários e dispositivos manejando operações remotas, monitorando e realizando a interação entre produtos conectados a internet.

No entanto, tem ocorrido tantas promessas não cumpridas que não podemos estranhar que as pessoas estejam tão céticas e confusas no que diz respeito a essa conectividade difundida. A maioria dos produtos fabricados hoje, mesmo os mais recentes, entram em processo de deterioração já no momento em que são desenvolvidos e entregues. Quer uma prova? Pense em nossas rodovias, edifícios, produtos de consumo, computadores, celulares e automóveis.

Tudo é e deverá ser conectado e entendido no contexto. Nós precisamos estar prontos para uma era de máquinas que falarão com máquinas, os gadgets em torno de nós não só estarão cientes de nossa presença, eles vão nos reconhecer e nos responder. Nossa vida cotidiana irá mudar porque quase todas as peças da tecnologia com que interagimos começarão a modificar seu comportamento para nossas necessidades e desejos.

Preparem-se para um incrível mundo onde produtos vão falar uns com os outros sem intervenções humanas. Eles serão autoconscientes e capazes de perceber, responder e colaborar com outros equipamentos. Sensores irão capturar dados e interagir com os outros para proporcionar uma experiência nova e única para nós. Como benefícios, teremos o aumento da qualidade do serviço, maior eficiência, conveniência e menores custos de operação. As aplicações são infinitas, variando de dispositivos médicos, carros e edifícios autônomos, gestão de energia, segurança, manutenção de produto, controle de drones, etc.

Estamos à beira de uma nova era de conectividade em que máquinas colaboram com máquinas. Nós poderíamos chamá-la de a segunda idade da máquina ou a “Era da Internet das Coisas” onde conteúdo e contexto não são produzidos por nós, mas por máquinas. E nós, os seres humanos, podemos passar mais tempo imaginando, projetando e criando um mundo melhor.

* Paul Sullivan é Evangelista de Tendências Tecnológicas para a Autodesk América Latina