10 anos depois, padrão HTML5 finalmente passa a ser recomendado pela W3C

Por Redação | 30 de Outubro de 2014 às 10h48

A W3C, a autoridade máxima em padronização web, bateu o martelo e definiu: o HTML5 está pronto e maduro o suficiente para receber a devida atenção de empresas e desenvolvedores web. Com o anúncio feito nesta quarta-feira (29), a entidade passa a recomendar o novo padrão que provavelmente substituirá o HTML 4, cujo lançamento ocorreu no longínquo ano de 1997.

Na prática, os usuários comuns não sentirão muitas mudanças, mas a decisão da W3C pode afetar diretamente a forma como páginas web são construídas e, sobretudo, como assistimos a vídeos. Atualmente, praticamente todo serviço como o YouTube funciona baseado no Adobe Flash Player, que é muitíssimo conhecido por inúmeros problemas de segurança. O problema é que, mesmo com todas essas falhas, a falta de uma opção no mínimo interessante faz com que a tecnologia da Adobe continue sendo utilizada.

Com a W3C validando a maturidade do HTML5, agora, este cenário muda completamente e cada vez mais desenvolvedores devem voltar suas atenções à capacidade da tecnologia de reproduzir vídeos nativamente direto do navegador, sem a necessidade de um plugin externo para isso.

Para Tim Berners-Lee, diretor da W3C, o HTML5 pode fazer muito mais pelas pessoas do que apenas possibilitar a execução de vídeos dentro do navegador. "[No futuro] nós esperamos ser capazes de compartilhar fotos, fazer compras, ler as notícias e procurar por qualquer tipo de informação em qualquer dispositivo. Embora permaneçam invisíveis aos olhos dos usuários, o HTML5 e a Open Web Platform estão nos conduzindo para isso", declarou o criador da World Wide Web.

O presidente adjunto do grupo responsável pela aprovação do HTML5 na W3C, Paul Cotton, disse concordar com Berners-Lee e destacou o conjunto de ferramentas interoperáveis que a tecnologia traz consigo. "Uma das melhores coisas do HTML5 é o seu conjunto de recursos interoperáveis no qual os desenvolvedores podem contar para construir suas aplicações web", disse ao portal TechCrunch.

Ainda segundo Cotton, a recomendação do padrão pela entidade não poderia vir num momento mais oportuno, já que a cada dia que passa fica mais claro que a web está mesmo trilhando um caminho onde o conteúdo é divulgado essencialmente em vídeo. "A nova tag de vídeo do HTML5 é, provavelmente, seu mais importante recurso já que a web está cada vez mais se valendo de vídeos", disse.

Embora o padrão já esteja circulando por aí desde 2004, somente em 2007 ele começou a ganhar força. A época coincide com o lançamento do primeiro modelo do iPhone. Durante a apresentação do smartphone, Steve Jobs disse que os aparelhos não utilizariam o Flash para exibir sites com animações e vídeos. Desde então, o HTML5 vem ganhando corpo e sendo adotado por sites que antes exigiam a instalação do plugin da Adobe para funcionar corretamente.

Segundo Cotton, a demora em consolidar o padrão se deu devido a necessidade de adequação do ecossistema web como um todo. Não daria, por exemplo, para dizer que tudo estava OK quando, na verdade, não havia ferramentas e/ou instruções suficientes para auxiliar e instruir desenvolvedores sobre como utilizá-lo.

"Por exemplo, as ferramentas que os desenvolvedores utilizam hoje em dia, como o GitHub, mídias sociais etc, ou eram muito diferentes ou sequer existiam há cinco anos", disse Cotton. Ainda de acordo com ele, houve todo um processo de adequação da tecnologia e várias baterias de testes para definir como ela deveria se comportar e acompanhar a evolução do ecossistema.

Agora que tudo está de acordo com as exigências da W3C, a expectativa é que em breve sites que utilizam HTML5 explodam em todos os cantos da internet e o usuário final seja o principal beneficiado com tudo isso.

Leia também: Será que o HTML5 matou o Flash?

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