IoT doméstica encara a pandemia

IoT doméstica encara a pandemia

Por Samir Vani | 16 de Junho de 2021 às 10h00
Reprodução/Dan LeFebvre (Unsplash)

Foi na virada do século que começamos a ouvir falar de uma tal “internet das coisas” e de como isso mudaria a nossa vida. Alguns anos depois já tínhamos vários exemplos nos laboratórios dos fabricantes de eletrodomésticos. Quem se lembra da geladeira que fazia pedidos diretamente ao supermercado quando o leite acabava e ainda por cima acessava o Twitter? O produto foi lançado pela Samsung na IFA 2011, a feira internacional de tecnologia que acontece anualmente em Berlim, e, obviamente, causou grande expectativa entre os consumidores, mas que logo se frustraram ao saber que levaria um bom tempo para ter esses benefícios em suas cozinhas.

O tempo passou e a IoT doméstica já é uma realidade em muitos lares espalhados pelo planeta, principalmente nos países desenvolvidos. Segundo um estudo do IDC, as vendas mundiais dos chamados smart home devices (dispositivos inteligentes para áreas como entretenimento, segurança e assistentes pessoais, entre outras) atingiram 800 milhões de unidades em 2020, mesmo com o planeta em pandemia, superando o ano de 2019 em 4,5%. E, para 2025, a expectativa é de que esse número anual chegue a 1,4 bilhão de equipamentos vendidos.

No Brasil, um país com 211 milhões de habitantes, a situação de grande desigualdade social limita o mercado consumidor de tecnologia. Ter um eletrodoméstico inteligente não é para qualquer um. De acordo com a PNAD de 2019, dos quase 70 milhões de domicílios no país, apenas 9 milhões contam com renda familiar mensal acima de R$ 9 mil — ou seja, menos de 13% das famílias brasileiras têm recursos suficientes para adquirir, por exemplo, uma geladeira inteligente (equipamento que chega a custar cerca de R$ 25.000).

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Porém, mesmo com todos os desafios, a IoT foi entrando de mansinho nos lares dos consumidores, inclusive no Brasil. Muitos não se deram conta de que, hoje, suas casas são diferentes do que eram alguns anos atrás. Um exemplo? O primeiro item a ganhar espaço foi a Smart TV conectada à internet, que permitiu o maior uso dos serviços de streaming, cada vez mais acessíveis, à medida que o ecossistema cresceu e evoluiu e os preços se reduziram. Hoje, as TVs com telas grandes e conectividade são o objeto do desejo dos brasileiros que querem um televisor novo.

Segundo um estudo da consultoria GFK, houve aumento de mais de 40% nas vendas de SmarTVs com 55 polegadas ou mais no ano passado. E vemos que agora algumas dessas TVs começam a ganhar funções adicionais e funcionam como hub de automação da casa. Fazendo com que os smartphones ganhem aliados na função de controlar seus equipamentos em sua casa.

E outros dispositivos de internet das coisas conquistaram espaço em nossos lares. Um exemplo: atualmente, é possível adquirir um dispositivo Echo (aparelho fabricado pela Amazon e que recebe comandos por voz para realizar várias funções como, controlar a iluminação, lembrar da hora de tomar o remédio ou tocar sua música preferida) por cerca de R$ 350. De repente, uma família de classe média brasileira passou a ter em casa uma Smart TV, um aspirador de pó autônomo, uma máquina de lavar que indica a quantidade ideal de sabão em pó, etc. Ou seja: ela já está cercada de IoT por todos os lados.

O volume de aplicações para a internet das coisas não para de crescer. A Delta Dental, líder em seguros odontológicos nos Estados Unidos, por exemplo, passou a oferecer a seus clientes uma escova de dentes inteligente que transmite informações sobre a saúde bucal do usuário. Já a Peloton, fabricante norte-americana de equipamentos de ginástica para o uso em casa adquiriu este ano três empresas especializadas em inteligência artificial e internet das coisas, para turbinar seus equipamentos fitness com recursos como comandos de voz e sensores que monitoram a saúde dos clientes. E nessa área já há IoT em bicicletas ergométricas, simuladores de remo, massageadores e a vários outros itens relacionados à saúde e ao bem-estar, cada um com seu ecossistema e seu aplicativo para celular.

A tendência é que os chips e a conexão à internet cheguem a um número cada vez maior de equipamentos domésticos, conectando, capturando informações e tornando mais inteligentes desde um simples alarme de incêndio ao medidor de água ou luz de sua casa. Ainda não é o lar do seriado Os Jetsons, mas nossas casas já estão muito mais inteligentes.

*Artigo produzido por colunista com exclusividade ao Canaltech. O texto pode conter opiniões e análises que não necessariamente refletem a visão do Canaltech sobre o assunto.

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