Hacker chama atenção para vulnerabilidades em artigos eróticos conectados

Por Ares Saturno | 15 de Outubro de 2018 às 17h42

Pode parecer estranho, mas conforme a indústria de acessórios sexuais lança produtos com tecnologias que permitam o acesso à Internet, um dos desdobramentos possíveis é a falta de privacidade em um dos momentos mais íntimos da vida humana.

Bard Haines, hacker responsável pela iniciativa Internet of Dongs, iniciou a pesquisa sobre as vulnerabilidades encontradas em vibradores e outros produtos voltados para a sexualidade ao pesquisar geladeiras, lâmpadas e outros artigos mais comuns quando o assunto é Internet das Coisas, ainda em 2016. Quando encontrou inúmeras falhas na segurança de vibradores que permitiam acesso à Internet, percebeu que pessoas poderiam ser expostas e até mesmo se poderiam se machucar fisicamente. "Muitos problemas são semelhantes ao que vemos em outras áreas da Internet das Coisas, como falta de criptografia e boas práticas de segurança, mas as implicações são muito maiores que no caso de uma geladeira", diz Haines.

Segundo Haines, as fabricantes desse tipo de dispositivo utilizam softwares que não conseguem garantir a privacidade de seus usuários. Uma série de produtos têm seus funcionamentos controlados por Bluetooth ou aplicativos e podem resultar em machucados físicos sérios se alguém com más intenções toma esse controle. "Geralmente, o software utilizado é terrível em termos de segurança. A maioria dos metadados sobre cada sessão de uso passa por um servidor da fabricante, o que significa que pode ser explorado em pesquisas de marketing ou ficar vulnerável a vazamentos", diz Haines.

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No ano de 2017, a fabricante de vibradores We-Vibe foi indiciada por não informar aos clientes que dados sobre os padrões de vibração e tempo de utilização eram coletados, senod condenada ao pagamento de multas de US$ 3,7 milhões.

Uma das maiores preocupações de Haines é com dispositivos que possuem limitações de funcionamento por meio do software e não no artefato em si, o que pode levar a machucados sérios caso quem está usando o vibrador perca o controle sobre a intensidade dos estímulos fornecidos. Mas há outros problemas que podem surgir, como dados de geolocalização que, se vazados, podem aumentar as chances de ataques ou importunação sexual.

Segundo Haines, é imprescindível que as fabricantes saibam dos perigos que podem ser explorados por cibercriminosos: "Precisamos de um código de conduta, um padrão de segurança entre os fabricantes, com auditorias externas. Você pode escrever um código inseguro que funciona bem. Mas ele vai funcionar ainda melhor para os caras na Rússia", disse Haines, chamando a responsabilidade para o problema.

Fonte: UOL

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