Digitalizar a rotina diária

Por José Otero | 18 de Agosto de 2017 às 12h38

Quando falamos sobre inovação tecnológica em telecomunicações, muitos pensam nas ofertas que serão lançadas pelas operadoras de acesso. Poucas vezes fazemos uma pausa para contemplar os avanços que são parte da nossa rotina diária e que não necessariamente foram desenvolvidos por uma operadora.

O melhor exemplo que pode ser dado é a nova geração de equipamentos eletrodomésticos que tem capacidade de conectar-se por ao menos uma alternativa de acesso, sendo a mais popular a geladeira que se conecta com o WiFi, a lavadora de roupas e até a lavadora de louças. Para o usuário, uma vez que estes objetos tenham alcançado economias de escala necessárias para sua massificação, sua reação não será pensar que estão sendo protagonistas de uma mudança pragmática no uso da tecnologia, e menos ainda que finalmente a Internet das Coisas está se estabelecendo em seu lugar.

Ao contrário, a adoção será similar ao que tem acontecido com os televisores inteligentes ou veículos conectados. Se reconhecerá um valor agregado em serviço que justifique a utilização de um benefício imediato, e o usuário não verá como essencial esta qualidade de conectividade do novo aparato, o que minaria sua demanda a curto prazo. Os dispositivos dos autos conectados já podem ser obtidos a preços bastante acessíveis e oferecem ao usuário inúmeros benefícios, entre eles o estabelecimento dentro do veículo de um ponto independente de conexão WiFi. Esta conexão renomada pode estar acompanhada com um monitoramento em tempo real do sistema elétrico ou quantidade de combustível do auto, por exemplo, enviando um alerta ao dono quando se requer alguma ação como abastecer com gasolina.   

A tarefa é clara. É preciso identificar um valor por parte do usuário para que a tecnologia possa ser utilizada. Uma vez identificado, surge a necessidade de melhorar as telecomunicações existentes em infraestrutura, criada para que estas redes possam suportar o aumento exponencial em tráfego para essas máquinas, contribuindo com um mundo onde a participação humana nessas tarefas é cada vez menor.  

Outro elemento importante é o desenvolvimento e desenho de redes de telecomunicações em aplicações e conteúdo. É preciso ver além da comunicação, as redes podem ser utilizadas como ferramentas de trabalho, educação ou sempre entretenimento. Para que este seja possível, tem que existir condições necessárias que viabilizem fora do mundo digital, por meio das redes de telecomunicações, e que possa realmente significar um benefício para o usuário.

Um exemplo disto é a digitalização de processos do governo, os usuários podem fazer seus pedidos de documentos oficiais mediante uma página web economizando tempo e dinheiro em viagem para uma dependência governamental. No entanto, isto á válido se os trâmites na página web incluírem alternativas de pagamento por meio de uma plataforma digital e não solicitarem que a pessoa vá até uma área do governo para retirar o documento solicitado.

O mesmo se sucede com o comércio eletrônico na América Latina. Existem numerosos exemplos de que uma pessoa pode comprar um produto por meio da internet, mas tem que ir até o local retirá-lo. Por que? Simplesmente porque o sistema de correios é caro ou pouco confiável.

Em ambos os casos observamos como poderia ser útil para o usuário não procurar alcançar plenamente seu objetivo final devido às condições externas, legais ou de logística, ao que permite a rede de telecomunicações. Um desafio se a aspiração é uma economia digital.

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