Universidades criam algoritmo para detectar anúncios de tráfico de pessoas

Universidades criam algoritmo para detectar anúncios de tráfico de pessoas

Por Felipe Demartini | Editado por Jones Oliveira | 03 de Maio de 2021 às 12h02
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Um grupo de pesquisadores das universidades Carnegie Mellon, nos Estados Unidos, e McGill, no Canadá, desenvolveram um algoritmo que pretende auxiliar as autoridades em investigações sobre o tráfico de pessoas. A ideia é analisar sites de conteúdo sexual em busca de propagandas que tenham características comuns entre si e relacionadas aos casos de abuso, como forma de identificar aliciadores e ajudar a polícia a direcionar as investigações sobre os casos.

O sistema foi batizado de InfoShield e é capaz de analisar milhões de anúncios de uma única vez. Ele não apenas trabalha a partir de indicações feitas pelos próprios pesquisadores, com as características que normalmente aparecem em anúncios relacionados ao tráfico sexual, como também pode identificar padrões para análise posterior, indicando possíveis novos mecanismos ou linguagem usados pelos criminosos. Nos testes iniciais, com propagandas que já haviam sido identificadas como parte de redes desse tipo, o algoritmo obteve uma precisão de 85% em sua detecção.

A ideia por trás do algoritmo partiu das próprias investigações policiais, que citam o tráfico sexual de pessoas como uma atividade em massa, cujos anúncios online são a principal ferramenta de divulgação. Segundo os estudiosos, cada bandido dessa categoria alicia de cinco a seis pessoas, sendo 55% de mulheres, o que faz com que os anúncios tragam textos e termos bastante parecidos entre si. É justamente nessas similaridades que o InfoShield trabalha.

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Os termos exatos que são usados no treinamento do algoritmo não foram divulgados, como forma de proteger as investigações e, principalmente, as vítimas. Como forma de comprovar a eficácia da solução, os pesquisadores se voltaram ao Twitter e usaram o InfoShield em tentativas de diferenciar publicações feitas por humanos daquelas criadas por bots, que também usam textos repetitivos e pré-programados como forma de atuação.

Novamente, a precisão foi alta, inclusive, maior do que outros algoritmos dedicados a encontrarem robôs nas redes sociais e que levam em conta outros fatores além do texto, como número de seguidores, interações e datas de criação de contas. Ainda assim, os estudiosos entendem que, sem as informações originais que ajudaram no treinamento da inteligência artificial, ficaria difícil para que seus pares avaliassem o trabalho, mas o entendimento é de que, por se tratar de uma questão de justiça, tal sigilo é essencial.

Ainda assim, as duas universidades ressaltam a importância do trabalho, principalmente em um mundo no qual o tráfico de pessoas toma proporções cada vez maiores, na medida em que as forças policiais encontram dificuldades no combate. Segundo a Organização Internacional do Trabalho, órgão que faz parte da ONU, se estima que 24,9 milhões de pessoas estejam presas em regimes de aliciamento sexual, com origens em dezenas de países tanto para criminosos quanto para vítimas.

Fonte: McGill University

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