Sony quer replicar sucesso do Playstation Plus no setor de sensores de imagem

Por Rui Maciel | 29 de Junho de 2020 às 21h20
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A Sony quer diminuir a dependência da divisão PlayStation em termos de receita para o conglomerado e quer replicar o sucesso do seu setor de videogames para o negócio de sensores de imagem. Para isso, além da venda desses componentes para as fabricantes de smartphones, a empresa planeja vender assinaturas de software para análise de dados.

Segundo a aência de notícias Reuters, para atingir esse objetivo, a Sony quer transformar seus sensores de imagem em uma plataforma de software - em um modelo de negócios semelhante ao do Playstation Plus. Tal estratégia representa uma mudança radical para o setor com faturamento de US$ 10 bilhões e que construiu o seu domínio, durante muitos anos, por meio do avanço de hardware.

Tal esforço vem de encontro com a busca da Sony em achar novas fontes de receita, após anos de perdas em diversos setores de eletroeletrônicos de consumo, com destaque para os smartphones, notebooks e TVs. Segundo Hideki Somemiya, Gerente Geral da Divisão de Negócios de Soluções de Sistemas da Sony, a empresa "tem uma posição sólida no mercado de sensores de imagem, que serve como porta de entrada para dados de imagem". Atualmente, o executivo lidera uma nova equipe no desenvolvimento de aplicativos baseados em sensores.

Ainda de acordo com Somemiya, a análise desses dados, aliado ao uso de inteligência artificial (IA) "formaria um mercado com potencial de crescimento maior do que o do próprio mercado de sensores, principalmente em termos de valor", afirmou ele, apontando a natureza recorrente do processamento de dados dependente de software em comparação a um modelo de negócios baseado somente em hardware.

Inteligência Artificial integrada

De olho no potencial do setor de software, a Sony desenvolveu o que seria o primeiro sensor de imagem do mundo com processador de Inteligência Artificial (IA) integrado. O componente pode, por exemplo, ser instalado em câmeras de segurança, onde é possível destacar trabalhadores de fábrica que não usam capacete. Outra possibilidade é o seu uso em veículos, que podem monitorar se o motorista apresenta estado de sonolência. É importante ressaltar que o software pode ser modificado ou substituído via redes wireless, sem necessariamente afetar o funcionamento da câmera.

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A Sony espera que seus clientes comecem a adquirir seu serviço de software para sensores, pagando taxas mensais ou pelo licenciamento do softwares. O processo seria algo semelhante aqueles usuários que compram um console PlayStation e depois pagam por serviços online, como o Playstion Plus. No entanto, a empresa japonesa não divulgou uma data de lançamento do serviço. Mas, durante uma coletiva no mês passado, Somemiya disse que havia demanda de "varejistas e fábricas - principalmente no setor de B2B".

Nova mentalidade "por bem ou por mal"

A estratégia da Sony não é exatamente uma novidade. Isso porque a Samsung e a chinesa OmniVision Technologies, já trabalham em projetos que expandem a capacidade de software dos sensores de imagem. No entanto, por ser líder no setor, com 52% de participação do mercado, a Sony teria uma vantagem competitiva mais sólida em um área ainda emergente.

Ainda assim, há obstáculos profundos a serem atravessados, principalmente em uma empresa conversadora como a Sony. Somemiya afirmou que uma abordagem centrada no software exigirá uma mudança de mentalidade em uma divisão acostumada a cumprir as especificações exigidas pelos fabricantes de smartphones - apenas cinco deles representam a maior parte de sua receita.

No entanto, a mudança pode chegar a partir da pressão de investidores. Um deles é Daniel Loeb, que lidera o fundo de hedge americano Third Point LLC. Investidor minoritário da Sony, ele pressiona pelo desmembramento da divisão de sensores de imagem, dizendo que seu valor poderia ser maior se não fosse mascarado pela complexidade da empresa - leia-se: se não fosse afetada pelo prejuízo gerado por outros setores do conglomerado.

Kenichiro Yoshida, CEO da Sony, é refratário a ideia de Loeb: ele afirma que manter a divisão de sensores em casa facilita o acesso aos recursos do grupo e disse que a diversidade é a força da empresa: "A mensagem do CEO Yoshida sugere que a Sony se concentrará no crescimento dos lucros com negócios diversificados", disse o analista Junya Ayada, do JPMorgan Securities.

Ayada prevê que o portfólio da Sony pode estar crescendo em complexidade, mas ainda registrou dois anos consecutivos de lucro recorde até março de 2019. A visão dele é corroborada por Atsushi Osanai, professor da Waseda University Business School. Segundo o acadêmico, ter tecnologia com aplicações diversificadas também pode ser vantajoso em tempos de incerteza. "A próxima grande novidade para os sensores pode estar na tecnologia de direção autônoma, mas é importante explorar outras aplicações", afirmou.

O sucesso da Sony no mercado de software também vai depender de paciência. Segundo Hideki Yasuda, analista da Ace Securities, há potencial no serviço de assinatura de software de sensores. No entanto, ele pode levar anos para esse modelo se torne um impulsionador no crescimento geral da Sony. "O número de sensores usados ​​em fábricas e varejistas provavelmente será pequeno em comparação aos do mercado de smartphones de mais de um bilhão de unidades", afirmou.

Fonte: Reuters  

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