União Europeia planeja atrair empresas desenvolvedoras de IA de maneira ética

Por Felipe Junqueira | 19 de Fevereiro de 2020 às 07h30

A União Europeia já teria um plano para competir de igual para igual com Estados Unidos e China na área da Inteligência Artificial (IA). Há pouco mais de um ano, o conjunto de países vem debatendo formas de atrair empresas que desenvolvam a tecnologia de maneira ética e transparente. De acordo com reportagem da Bloomberg, Margrethe Vestager, vice-presidente executiva para a área da Economia Digital, já tem uma ideia e vai divulgar seu plano nesta quarta-feira, 19 de fevereiro.

A ideia é que a IA seja desenvolvida e implementada na Europa de maneira diferente do que vemos nos EUA e China. A UE quer transparência e a supervisão humana em todo o processo. Especialmente nas áreas em que o uso da inteligência artificial possa representar riscos à segurança de seres humanos.

“Somos aquilo que comemos e o mesmo acontece com a inteligência artificial”, disse Vestager, em uma conferência de imprensa antes da divulgação do plano para a IA.

Margrethe Vestager liderou criação do plano de desenvolvimento de IA europeu (Foto: Reprodução)

Mais especificamente, como disse o comissário europeu para marketing interno e serviços Thierry Breton à Reuters, a UE pretende acumular dados nas áreas de manufatura, transporte, energia e saúde que possam servir para o bem-estar público e para acelerar startups europeias.

“A Europa é o continente líder industrial no mundo”, disse Breton. “Os Estados Unidos perderam muito de seu conhecimento industrial na última fase da globalização e precisam reconstruí-lo gradualmente. A China tem desvantagens de valor agregado que está corrigindo”, avaliou.

De acordo com o site VentureBeat, a União Europeia pretende investir até US$ 22 bilhões (cerca de R$ 96 milhões) no desenvolvimento da inteligência artificial. Acredita-se que o continente tenha muitos dados governamentais e industriais que possam atrair interessados, desde que as empresas aceitem algumas regras para utilizá-los.

Depois de ser apresentado, o plano permanecerá em consulta pública por 12 semanas. Após análise dos interessados, que poderão incluir comentários e compartilhar opiniões, a Comissão Europeia inicia o debate para formalizar a legislação. A Bloomberg diz que um rascunho do plano teria sido enviado a gigantes tecnológicas americanas, como a Alphabet, para que possam contribuir com comentários e sugestões.

Fonte: VentureBeat, Bloomberg

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