IA da IBM é colocada em teste em debate e perde para campeão mundial

Por Wagner Wakka | 12 de Fevereiro de 2019 às 13h29
Divulgação/IBM
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A IBM colocou sua inteligência artifical em uma máquina chamada IBM Debater. A função é muito clara: permitir que ela participe de debates e apresente argumentos lógicos em uma discussão. Munida de um banco de dados vasto, é até fácil de acreditar que uma inteligência artificial como as que têm sido desenvolvidas pela IBM possam realmente sobreviver a um debate. Contudo, um primeiro teste da companhia mostra que isso ainda não é possível.

O IBM Debater foi colocado junto com Harish Natarajan, conhecido como campeão mundial de debate de 2016, em uma competição sobre se o governo deveria ou não subsidiar a educação pré-escolar. Apesar de mostrar “conhecimento” com base no conteúdo que tem em sua biblioteca, o aparelho ainda apanhou em algumas características meramente humanas como persuasão e argumentação.

Apesar de ter dificuldades nestes pontos, Natarajan acredita que é uma ferramenta poderosa de apoio ao debate, uma vez que é capaz de buscar de forma precisa algo em uma “pilha de informações”.

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Competição

A disputa foi da seguinte forma: cada um dos lados tinha 15 minutos para se preparar, sendo que a máquina ainda contava com uma biblioteca de 10 bilhões de artigos e publicações. Assim, cada um construiu um argumento que poderia ser replicado pelo outro em turnos.

A decisão de vitória do rapaz chegou em voto do público. No começo, 79% eram a favor de que o governo subsidiasse este setor da educação, sendo que o número caiu 17% após o final da apresentação. Como Natarajan era a pessoa dedica a confrontar a ideia de subsídio, entendeu-se que ele foi melhor no debate.

Para isso, a IBM colocou no palco um PC com 28 núcleos de processamento e um total de 768 GB de memória RAM. O hardware ainda foi alimentado por quatro servidores com 64 GB de memória cada e 2 TB de armazenamento para dar conta do recado.

Apesar de não ser suficiente para fazer a plateia mudar de ideia, o IBM Debater conseguiu impressionar o mediador, John Donvan, por ser “impressionantemente charmoso e parecido com a fala humana”.

O debate foi realizado no IBM Think, evento da empresa em San Francisco, e deve ser o último do aparelho. Agora, a companhia quer transformá-lo em algo comercializável e mais próximo do público. “O Debater é legal e um excelente caso, mas nós devemos focar em como pegar esta tecnologia e transformar em algo viável”, aponta Ranit Aharonov, gerente do Project Debater.

Segundo ele, o processo já está em fase final para apresentação a possíveis consumidores, voltados principalmente a veículos de comunicação e setores do governo. Contudo, ainda deve demorar para chegar efetivamente como produto ao mercado.

Apesar de todas as dificuldades e necessidade de um hardware potente, o aparelho mostrou que pode impressionar ao questionar pontos que podem ser considerados muito humanos. Por exemplo, em um momento, o aparelho apontou um argumento bastante convincente: “dar oportunidades a pessoas menos afortunadas deveria ser uma obrigação moral de todo ser humano”.

Em alguns momentos, pode ser que um robô entenda mais sobre as nossa relações que nós mesmos.

Fonte: CNET

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