China ganha primeiro restaurante onde robôs são os cozinheiros

China ganha primeiro restaurante onde robôs são os cozinheiros

Por Felipe Demartini | 15 de Janeiro de 2020 às 12h20

A China ganhou neste final de semana seu primeiro restaurante operado completamente por robôs. O Foodom, como foi chamado, fica em Guangzhou e é especializado na cozinha tradicional chinesa. Além disso, ele está localizado bem no centro do que é reconhecido como um dos berços da culinária cantonesa. Lá, as máquinas fazem de tudo, desde atender os clientes até preparar os pratos, cuidando também das logísticas de delivery e limpeza.

Tudo funciona, claro, por meio de um sistema de inteligência artificial. Garçons robôs recebem os clientes na porta e os guiam até as mesas, informando sobre pratos do dia, fazendo indicações e até recebendo perguntas. Telas que fazem às vezes do rosto das máquinas servem como auxílio visual durante a escolha e visualização do menu, com os pratos sendo entregues às mesas por meio de um sistema de esteira.

De acordo com a Country Garden Holdings, uma empresa imobiliária que é a responsável pelo Foodom, por meio de sua divisão de robótica e inovação, o mesmo sistema de IA também foi usado para que os robôs aprendessem a cozinhar. Ensinamentos dos 10 melhores chefs da culinária cantonesa foram carregados nas máquinas, que são capazes de seguirem com extrema precisão os direcionamentos quanto à quantidades de ingredientes ou temperos, bem como o tempo de cozimento e temperaturas de preparo e apresentação.

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46 robôs trabalham no Foodom, com atividades que vão desde preparar pratos até atender clientes, receber fornecedores e armazenar produtos (Imagem: Reprodução/Yicai)

No total, são 32 robôs apenas na cozinha, com mais 14 deles fazendo o atendimento dos clientes, preparando drinks e até recebendo fornecedores e armazenando produtos. E, como é o caso em praticamente qualquer sistema de inteligência artificial, eles continuam aprendendo, principalmente, por meio das avaliações dos fregueses, cujas reclamações e sugestões são alimentadas ao sistema por um dos poucos serviços realizados por humanos no Foodom.

Lin Chao, um dos principais chefs chineses da atualidade, por exemplo, aprovou o restaurante. A Country Garden Holdings, entretanto, deixa claro que esse sucesso veio por conta do gigantesco investimento feito na empreitada — US$ 29 milhões apenas nas tecnologias e recursos necessários para a abertura do restaurante.

E a empresa deixa claro que essa é apenas a primeira unidade, com previsão de abrir pelo menos 1.000 restaurantes operados por robôs em toda a China até 2022. A ideia é que os custos serão mais baixos a cada nova inauguração, com gastos diluídos também por meio de um sistema de franquia, foco nos aplicativos de entrega e economia de escala. Além disso, a Country Garden afirma que os lucros oriundos de seus serviços imobiliários, seu principal negócio e que gerou nada menos do que US$ 111,7 bilhões em 2019, também ajudaram a financiar a empreitada.

Com isso, ela garante, não sofrerá o mesmo fim que outras iniciativas de restaurantes automatizados, que chamaram a atenção pela inovação mas acabaram sucumbindo diante dos altos custos de implementação e operação, que acabavam se refletindo no menu e afastando clientes.

Fonte: GizmoChina, Yicai

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