O Ciclo de Hype das tecnologias emergentes

Por Boris Kuszka | 24 de Abril de 2018 às 16h13
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Todo mundo fica empolgado com a chegada de novas tecnologias no mercado. É hype! E o que é hype? A palavra vem do termo hyperbole, ou hipérbole, que tem origem no grego arcaico, e significa o uso do exagero como dispositivo retórico ou figura de linguagem. O dicionário define hype como algo extravagante ou que vem recebendo atenção, publicidade e promoção intensas. Mas quando novas tecnologias fazem promessas ousadas, como você pode discernir o que é hype do que é comercialmente viável? E como ter certeza de quando essas promessas vão se cumprir e trazer algum retorno sobre o investimento?

O Ciclo de Hype do Gartner, grupo de pesquisa e consultoria especializado em tecnologia, oferece uma representação gráfica da maturidade e da adoção de tecnologias e aplicativos, e como eles são potencialmente relevantes para solucionar problemas reais de negócios e explorar novas oportunidades. O gráfico oferece uma visão de como uma tecnologia ou aplicativo tende a evoluir ao longo do tempo, servindo como uma boa fonte de informação para gerenciar a implantação dentro do contexto de suas metas de negócios específicas. O Ciclo ajuda você a entender a promessa de uma tecnologia emergente dentro do contexto de sua indústria e apetite individual por risco.

A última análise divulgada pelo grupo, em 2017, aponta para três grandes megatendências em tecnologia: a ampla disseminação da Inteligência Artificial (AI), experiências imersivas e as plataformas digitais. Podemos observar que, enquanto a tecnologia augmented human, ou humano aumentado, está só no início da fase do gatilho de inovação, tecnologias emergentes complementares como machine learning, blockchain, drones, segurança definida por software e interfaces cérebro-computador evoluíram de forma significativa desde 2016.  

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Fonte: Gartner (Julho de 2017)

Mas o que significam as curvas ascendentes e descendentes no diagrama? Os triângulos amarelos representam tecnologias que estão a mais de 10 anos para alcançar o platô de produtividade, como a impressão 4D e os displays volumétricos. Já os círculos azuis escuros destacam as tecnologias que estão entre 5 a 10 de decolar, como o 5G e os Smart Robots, e os círculos azuis claros revelam quais são as inovações que deverão conquistar o mercado nos próximos 2 a 5 anos, incluindo plataformas de Internet das Coisas e o Serverless SaaS. Os círculos cinzas equivalem às tecnologias que devem atingir o platô de produtividade em menos de dois anos.

Diversas tecnologias aparecem no gráfico que ilustra o Ciclo de Hype para Tecnologias Emergentes do Gartner. Porém, é necessário responder algumas perguntas antes de adotar uma tecnologia que está surgindo. Afinal de contas, vale a pena investir? Depende. É preciso analisar o nível de hype que se encontra essa tecnologia. Pense, analise e, principalmente, tenha um pouco de cautela! Adotar novas tecnologias sem pesar os prós e os contras pode ser perigoso, a exemplo do Uber, que ao adotar a tecnologia do carro autônomo cedo demais teve seu primeiro caso de morte registrado nos Estados Unidos. O Ciclo de Hype envolve algumas fases que precisam ser observadas:

Gatilho de Inovação

A fase inicial do Ciclo é o Gatilho de Inovação, quando um avanço tecnológico em potencial desencadeia as coisas. As primeiras histórias de prova de conceito e o interesse da mídia acabam gerando um volume significativo de publicidade. Muitas vezes, contudo, não há produtos utilizáveis ​​e a viabilidade comercial não é comprovada.

Pico de Expectativas Infladas

É o momento em que as expectativas são infladas, a exemplo de tecnologias como blockchain e os veículos autônomos, mencionada acima. A publicidade antecipada produz uma série de histórias de sucesso - muitas vezes acompanhadas de dezenas de fracassos. Algumas empresas agem, porém muitas não, decidindo esperar para ver.

Fosso de Desilusão

A desilusão é normal depois do pico de expectativas infladas. O interesse diminui à medida que os experimentos e implementações não são entregues. Produtores da tecnologia inovam ou falham. Os investimentos continuam apenas se os provedores sobreviventes melhorarem seus produtos para a satisfação dos primeiros adotantes. Atualmente, a Realidade Aumentada e a Segurança Guiada por Software se encontram no fosso e se preparam para avançar para a próxima fase do Ciclo.

Rampa de entendimento

Na rampa, ou curva, de entendimento, mais exemplos de como a tecnologia pode beneficiar a empresa se cristalizam e se tornam mais amplamente compreendidos. Produtos de segunda e terceira geração, como a Realidade Virtual, começam a surgir a partir de fornecedores de tecnologia. Mais empresas financiam projetos-piloto, embora as organizações mais conservadoras continuem cautelosas. É nesse momento que as empresas mais inovadoras fazem suas apostas para ganhar uma vantagem competitiva antes que seus concorrentes mais conservadores.

Platô de Produtividade

É neste ponto que a adoção de uma nova tecnologia finalmente começa de fato a decolar e ganhar espaço no mainstream. No platô de produtividade, os critérios para avaliar a viabilidade do provedor são mais claramente definidos. Agora a ampla aplicabilidade e relevância do mercado da tecnologia estão claramente valendo a pena e compensando o investimento.

Analisando o Hype

Ao agir prematuramente diante de uma tecnologia emergente, você precisa estar disposto a combinar a tomada de riscos com o entendimento de que investimentos arriscados nem sempre valem a pena. Porque você pode colher os frutos da adoção antecipada, ou não.

Uma abordagem moderada pode ser mais apropriada, mas está longe de ser a solução para todos os problemas. Se por um lado executivos mais moderados entendem o argumento para um investimento inicial, por outro também insistem em uma análise de custo / benefício quando novas formas de fazer as coisas ainda não estão totalmente comprovadas.

Então a saída é esperar por uma maturação ainda maior? Se houver muitas perguntas não respondidas sobre a viabilidade comercial de uma tecnologia em desenvolvimento, talvez seja melhor esperar até que outras pessoas tenham conseguido agregar valor tangível. Ou então fazer suas apostas, calculando com a vantagem que o tempo dará, lidando com os riscos que uma tecnologia não madura traz.

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