IBM vai usar dados para combater discriminação em reconhecimento facial

Por Felipe Demartini | 28 de Junho de 2018 às 11h16
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A IBM está liberando, livremente, dois grandes conjuntos de dados para uso no desenvolvimento de sistemas de reconhecimento facial como forma de garantir um aumento na precisão desse tipo de tecnologia e, principalmente, reduzir os casos de discriminação. Uma das ideias principais é melhorar o treinamento desses sistemas entre diferentes gêneros e etnias.

São dois conjuntos de dados. O primeiro contém um milhão de imagens e é voltado para atributos específicos, com a IBM afirmando que esse é o maior banco já criado para identificação de características como diferentes tipos de barba, cor dos olhos e cortes de cabelo. Todas as fotos acompanham indicações textuais e informações, facilitando a inserção e leitura por plataformas de inteligência artificial.

O segundo banco de dados traz 36 mil fotos, com uma divisão igual entre diferentes faixas etárias, etnias e gêneros. Na visão da companhia, o treinamento é a principal forma de evitar a discriminação no desenvolvimento de sistemas de reconhecimento, tradicionalmente melhores em ler o rosto de indivíduos do gênero masculino e pele branca, que normalmente têm amostras maiores de imagens durante a criação da tecnologia.

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Todas as imagens foram obtidas pela IBM no Flickr, rede social voltada para publicação de fotos, e estão cobertas por uma licença Creative Commons, o que prevê sua utilização livre para fins de pesquisa. É justamente o que acontece aqui, com a companhia americana liberando os conjuntos de dados para qualquer pessoa que esteja interessada em usá-los, em uma iniciativa para levar o treinamento de inteligências artificiais de reconhecimento para o “mundo real”, fora dos grupos focais e amostras parciais.

A iniciativa também aparece como uma resposta aos problemas da própria IBM, com sua plataforma de reconhecimento facial tendo sido criticada justamente por ter mais dificuldade em identificar indivíduos com pele negra e mulheres. Nestes casos, a taxa de erro seria de 35%, contra apenas 1% de equívocos quando são homens brancos na frente das câmeras, indicou uma pesquisa do Laboratório de Mídia do MIT, nos Estados Unidos.

Na medida em que recursos desse tipo são mais e mais usados em campos que vão desde a segurança doméstica até a prevenção de crimes ou autenticação de equipamentos eletrônicos, tais taxas de equívocos não são mais aceitáveis. Na época, a companhia se comprometeu a utilizar amostrar étnicas mais variadas, com o mesmo valendo também para gênero e idade. Foi dessa coleta, já aplicada à tecnologia da IBM, que veio a liberação que acontece agora.

Além de soltar o volume de dados, a empresa se compromete, ainda, em estabelecer novas categorias de testes de reconhecimento facial de forma a encontrar casos de discriminação e dificuldades na identificação de elementos específicos. Os primeiros resultados dessa iniciativa, que está sendo tocada junto com membros de universidades, devem aparecer em setembro.

Desde já, porém, os resultados parecem positivos. De acordo com as experimentações preliminares da IBM, a taxa de erro nos parâmetros testados já teria caído cerca de 10% em relação aos testes do MIT, com mais avanços sendo previstos. Encontrar uma forma padronizada de testar tais sistemas, agora, também se tornou uma das missões da empresa no campo da tecnologia biométrica.

Fonte: IBM

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