Exército dos Estados Unidos quer controlar drones por meio do pensamento

Por Felipe Ribeiro | 19 de Outubro de 2019 às 20h00

Um novo programa de pesquisa da DARPA (Defense Advanced Research Projects Agency ou Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa, na tradução livre) está desenvolvendo interfaces que podem controlar drones ou outros dispositivos por meio do pensamento e que seriam "instaladas" em cérebros de soldados.

Início dos testes

Em agosto, três estudantes de pós-graduação da Universidade Carnegie Mellon foram "confinados" em um pequeno laboratório para fazer alguns testes em cérebros de ratos. Eles cortaram um pequeno fragmento do órgão, mas precisamente do hipocampo. Um tubo estreito banhou a fatia em uma solução de sal, glicose e aminoácidos para que ele fosse mantido "vivo". Uma matriz de eletrodos embaixo deste pedaço produzia impulsos elétricos, enquanto uma sonda de metal semelhante a uma seringa media como os neurônios reagiam.

Um monitor ao lado da plataforma exibia os estímulos e respostas: impulsos de eletricidade dos eletrodos eram seguidos, milissegundos depois, por neurônios disparando. Mais tarde, os pesquisadores colocaram um material com as mesmas propriedades elétricas e óticas de um crânio humano, entre a fatia e os eletrodos, para ver se eles poderiam estimular o hipocampo do rato também através do crânio simulado.

Eles estavam fazendo isso porque queriam ser capazes de detectar e manipular sinais no cérebro humano sem precisar atravessar o crânio e tocar tecidos delicados do órgão em questão. Seu objetivo é, eventualmente, desenvolver interfaces "cérebro-computador" precisas e sensíveis e que possam ser colocadas e retiradas como um capacete ou faixa para a cabeça - sem necessidade de cirurgia.

Vai ser difícil

O experimento dos estudantes teve como objetivo coletar uma linha de base de dados com a qual eles pudessem comparar os resultados de uma nova técnica que Pulkit Grover, o principal investigador da equipe, espera desenvolver. "Nada disso é [agora] possível, e é realmente difícil de fazer", diz Grover. Ele colidera uma das seis equipes que participam do Programa de Neurotecnologia Não-Cirúrgica de Próxima Geração, que tem investimento de US$ 104 milhões aportado pela DARPA.

Enquanto a equipe de Grover está manipulando sinais elétricos e de ultrassom, outras equipes usam técnicas ópticas ou magnéticas. Se alguma dessas abordagens for bem-sucedida, os resultados podem ser transformadores.

Fonte: MIT Technology Review

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