A Inteligência Artificial será como a eletricidade, diz cientista da Microsoft

Por Stephanie Kohn | 09 de Outubro de 2018 às 17h47
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A Inteligência Artificial tem permeado nossas casas e ambientes de trabalho, e seu avanço vai alterar ainda mais a forma como agimos e pensamos. O tempo é cada vez mais escasso e as IAs chegaram para nos poupar desse recurso tão valioso, automatizando e simplificando o nosso cotidiano. Mas, obviamente, como todas as mudanças significativas na vida humana estamos cada vez mais preocupados com as consequências.

Na semana passada, durante evento LIDE NEXT, organizado pelo Grupo de Líderes Empresariais, a CEO da Microsoft Brasil, Paula Bellizia, e outros executivos do mercado se encontraram para discutir as implicações da Inteligência Artificial na vida e nos trabalhos das pessoas.

Segundo Paula, até 2020, 85% das empresas estarão usando ferramentas de Inteligência Artificial para melhorar seus processos. Em 2030, a previsão é que a produtividade no ambiente corporativo melhore 40%. Para Rico Malvar, cientista-chefe do laboratório de pesquisas da Microsoft, a Inteligência Artificial será fundamental para nossa sociedade, pois vai ampliar a capacidade humana.

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“Nossa capacidade dentro da IA hoje é ainda a ponta do iceberg. O melhor de tudo será quando unirmos a inteligência natural com a artificial. Aí teremos um grande potencial”, comentou o cientista-chefe. “Quem achar que não vai ser impactado pela IA está errado. Comparam as máquinas com quem somos hoje, mas devemos comparar o humano do futuro, porque seremos muito mais inteligentes. A IA será nossa nova eletricidade, vai permear tudo. Assim como a eletricidade mudou toda nossa existência, a IA fará o mesmo.”

Ele ainda completa: “O ser humano vai chegar em um ponto em que não viverá mais sem IA. Qualquer função vai precisar de IA”, finalizou.

Ética na Inteligência Artificial

O futuro indissociado da Inteligência Artificial traz dezenas de novos debates e preocupações. E a ética no desenvolvimento das máquinas é um deles. “Um ponto importante é o viés humano ser perpetuado pelas máquinas ao ensinarmos os sistemas artificiais”, comentou a CEO da Microsoft Brasil.

Há dois anos a Microsoft fez um teste com seu sistema de IA, a Tay, e algo inesperado aconteceu. A robô adolescente, que aprendeu por meio da equipe de pesquisa da empresa e também a partir de suas interações com usuários do Twitter, se tornou homofóbica e xenófoba em pouco tempo. Isso só aconteceu pois o sistema se tornou um reflexo do que foi passado por ela, aprendendo com os próprios humanos alguns conceitos.

“Do ponto de vista de tecnologia foi ótimo, pois vimos que o sistema aprendeu rapidamente, mas do ponto de vista social foi péssimo”, comentou Paula. “Por conta disso, a Microsoft co-fundou a ‘Partnership for Ai’, uma associação criada para fornecer uma plataforma aberta e inclusiva, fomentando a discussão e engajamento em IA”, disse.

A associação busca equidade, confiabilidade, proteção, privacidade e segurança na era da IA. Um bom exemplo da importância de equidade pode ser visto em uma matéria publicada pelo New York Times, em fevereiro deste ano. O jornal avaliou software de reconhecimento facial, que usam IA, e descobriu que alguns deles só consegue reconhecer com acuracidade um homem branco. De acordo com a matéria, quando a pessoa na foto tem a pele mais escura, o software passa de uma exatidão de 99% para 35%, e esse número cai ainda mais quando a pessoa em questão é uma mulher de pele escura.

“Trata-se de uma conversa global para chegar a um consenso global, uma nova geração de leis. Trata-se de garantir benefícios sociais e dignidade humana. Nós e vários parceiros da indústria temos o compromisso de se certificar que a tecnologia vai ser usada para o bem”, concluiu.

Empregos na era artificial

Um estudo da McKinsey afirma que 400 a 800 milhões de pessoas podem ser substituídas por processos automatizados e terão de encontrar novos empregos em 2030. Outro estudo da BBC diz que 65% das crianças que estão entrando hoje no ensino fundamental irão trabalhar em funções completamente novas. Mas nem todos veem esse números com maus olhos.

Para Eduardo Navarro, presidente da Vivo, a chegada da AI é vista com otimismo pela empresa, pois os processos automatizados vão gerar mais produtividade, liberar capital para novos negócios e vagas de empregos. O desafio que vamos enfrentar, no entanto, será na capacitação de novos profissionais e o desaparecimento de antigos empregos.

“Essa não é a primeira vez que vivenciamos rupturas provenientes da tecnologia. Quando os ATM [caixas eletrônicos] chegaram nos Estados Unidos, todos acharam que os atendentes perderiam os empregos e isso não aconteceu, pois eles ganharam novas atribuições”, concluiu.

O mesmo ocorreu com a chegada dos carros. Mas, no fim das contas, a indústria automobilística acabou se tornando uma das que mais empregou pessoas na história da humanidade. Se você se interessou pelo assunto e quer saber como esse mercado vai impactar o Brasil, leia essa matéria publicada há poucos dias.

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