A evolução do delivery durante a pandemia

A evolução do delivery durante a pandemia

Por Bernardo Carneiro | 30 de Julho de 2021 às 10h00
Gioraphics / envato

Não há dúvidas de que a pandemia exigiu das empresas, de todos os tamanhos, um amadurecimento digital em tempo recorde. Passado pouco mais de um ano, ainda me surpreendo vendo o quanto avançamos na venda de produtos online. Segundo um estudo da Mobills, empresa de controle financeiro, os gastos com compras via internet cresceram 187% desde março de 2020. Dentre toda essa transformação digital, três me chamaram atenção:

1. O aumento significativo das compras por delivery

Conversei pouco tempo atrás com o diretor de uma grande rede de fast food. Ele me contou que, antes da pandemia, as vendas por delivery representavam 3% do seu faturamento. Hoje, esse volume aumentou para 30%. Ou seja, o negócio multiplicou por 10 e ganhou importância estratégica.

2. A popularização do serviço de delivery no interior do Brasil 

O impacto da pandemia sobre os hábitos das pessoas foi tão forte, que as compras online, que antes eram concentradas principalmente nos maiores centros urbanos, começaram a se popularizar também no interior. Os aplicativos de entrega de comida, como o Delivery Much, começaram a ganhar força fora das grandes cidades.

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3. O amadurecimento do consumidor digital

O brasileiro mergulhou de cabeça nas compras online. Isso foi essencial para o crescimento do delivery. Indiretamente, a pandemia fez com que as pessoas aumentassem a confiança nas compras online e percebessem que comprar em lojas físicas não era a única opção. Os consumidores tiveram de se adaptar. Hábitos tradicionais, como ir ao mercado ou até mesmo realizar consultas médicas, começaram a ser realizados de forma digital. As pessoas viram que tudo poderia ser comprado online.

Um exemplo que ilustra bem essa rápida transformação é o de uma rede carioca de comida japonesa. Quando foi decretado o fechamento dos restaurantes, eles não tinham nenhuma operação online e não trabalhavam com delivery. Em apenas dois dias viraram totalmente o negócio. Começaram como puderam, com uma estrutura muito simples e foram profissionalizando aos poucos. Depois foram criando o próprio aplicativo, melhorando a experiência do usuário na hora da compra e aperfeiçoando o processo de logística. O resultado desta iniciativa foi surpreendente. Hoje, a operação online sozinha já gera de receita mais do que 100% do faturamento de todos os restaurantes juntos antes da pandemia. 

Mas a transformação digital não ficou restrita a grandes empresas. Pequenos negócios, lojinhas de bairro, mercadinhos e até lojas de calçados e roupas aderiram às vendas digitais. E o que é mais incrível: fizeram essa mudança em tempo recorde. Foi a única saída para continuar vendendo em tempos de circulação restrita e isolamento social.

Não há dúvidas de que evoluímos muito no consumo digital durante essa pandemia. Os estabelecimentos melhoraram seu sistema de delivery e os clientes desenvolveram conhecimento para fazer compras e consumir serviços online. O próximo desafio das empresas agora é conseguir manter o faturamento com o delivery após a reabertura dos estabelecimentos. Ouso dizer que o melhor caminho para vencer esse desafio é apostar na experiência de compra. Quanto melhor a experiência do cliente, maior a sua satisfação e, consequentemente, maior a chance de ele voltar a fazer a compra com você. 

Portanto, agora é o momento de dar atenção aos detalhes, deixar o consumidor escolher o canal de preferência de acordo com o momento e necessidade específica. Não esquecer que a entrega numa operação digital é a última etapa da experiência de compra, ou seja, deve ser tratada como oportunidade de encantar, fidelizar e se diferenciar e não ser encarada somente como custo. Agora, com o consumidor mais educado e digitalizado, que continuem vindo os pedidos!

*Artigo produzido por colunista com exclusividade ao Canaltech. O texto pode conter opiniões e análises que não necessariamente refletem a visão do Canaltech sobre o assunto.

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