Você vai sobreviver ao tsunami pós-transformação digital?

Por Colaborador externo | 17 de Julho de 2017 às 09h21

* Por Amanda Matos Cavalcante

Muitas empresas estão adiando o processo da transformação digital por acharem o tema relativamente novo, por terem medo, por não saberem o que está do outro lado dessa ponte para o futuro e a sobrevivência de suas empresas.

Em artigo anterior, "Espelho, espelho meu, o meu negócio já morreu?", escrevi sobre a necessidade da reinvenção dos negócios na era digital, mas ainda vejo uma grande lacuna de conteúdo e preparo para a segunda fase dessa transformação: a tempestade que vem seguida a ela. O processo de transformação digital de uma empresa como um todo – mindset, modelos de negócio, processos, etc. – é um grande primeiro passo e o que vem em seguida é um enorme tsunami de consequências e efeitos gerados por essa transformação e você precisa se preparar para que seu navio não naufrague.

Um artigo de Barry Libert expandiu muito meus horizontes e me inspirou a escrever este. Concordo quando ele afirma que existem duas vertentes da transformação digital: a linear e a exponencial. A primeira traz mudanças consideráveis à organização, porém tem um viés muito mais voltado para a melhoria de produtos e processos através da aplicação da tecnologia e otimização de resultados em função dessa adoção. Já a transformação exponencial é disruptiva: ela traz grandes impactos para o negócio, afinal é uma reinvenção deste. Requer muito mais ousadia e coragem. E é justamente essa transformação que traz os maiores impactos no negócio. É para esse tsunami que você precisa estar preparado.

É preciso entender que quando você passar pelo processo inicial da transformação digital – quando você implementar novos modelos de negócio, novos produtos e serviços –, muito provavelmente você receberá uma demanda de novos negócios aos quais você ainda não estava acostumado. Não se assuste! Ao invés disso, esteja preparado.

1.   Motive a mudança cultural

Se o board da empresa não acredita no digital, não respira e transpira o digital, certamente a cultura da empresa não vai sobreviver à mudança na estrutura dos negócios trazida pela onda da transformação digital. Impor a transformação ou até mesmo cobrar comprometimento é digno de um C-level, mas ditar criatividade, otimismo e convicção, características necessárias nesse processo, não funciona. Isso deve vir de cima e dessa maneira a motivação das equipes será real e efetiva.

2.   Seja adepto da inovação externa

Libert defende que se você não investir em disrupções exponenciais, uma startup lá de fora irá fazer isso por você. Manter o portfólio sempre atualizado e inovador é necessário para continuar ocupando uma posição relevante no mercado no momento pós-transformação digital e uma ferramenta de inovação externa é uma excelente estratégia para manter-se competitivo e preparado para o que vem a seguir.

3.   Contrate novos talentos

Se antes os marinheiros estavam acostumados a ondas de 2 metros, agora eles precisam estar aptos a enfrentar tsunamis. Buscar talentos que vivem essa realidade é uma tática para estar preparado para a chegada dessa mega onda.

4.   Prepare-se para o retorno diferenciado

A realidade do digital é dinâmica e um modelo de negócio estático não é suficiente para suportar tanto novas demandas como o dinamismo dos incomes que virão em função delas. Lembre-se de ser tolerante e flexível.

5.   Implemente as ideias e teste em casa – rápido!

Ainda sobre o dinamismo do digital, é importante lembrar que agilidade é uma palavra chave nesse processo. Inovar, explorar novas ideias faz parte do dia a dia das empresas digitais. Una os dois: coloque as ideias em prática de forma ágil. Corra o risco. Mesmo que a ideia não evolua, teste. Daí sairão tanto as lições quanto as ideias bem-sucedidas que se tornarão cases de sucesso.

Prepare-se para navegar nesse oceano da transformação digital!

* Amanda Matos Cavalcante é Gerente de Marketing da Triad Systems e formada em Condução de Estratégias Digitais pela Harvard Business School.