Natal digital

Por José Otero | 24 de Dezembro de 2017 às 08h05

A temporada das festas, além de paz, amor, harmonia, irmandade e outros clichês que nesta época são mais encontrados em filmes e séries de televisão, a torna muito especial. Do aspecto transcendental, das crenças religiosas, de grande parte da população do planeta, mesmo os mais preocupados com a vida e sobre a abordagem de final do ano e tudo o mais que isso implica em termos fiscais.

Estes dias também são vitais para a indústria de telecomunicação latino-americana, pois compreende a grande maioria dos mercados da região com o trimestre de melhor faturamento e crescimento para as operadoras. Quem não quer realizar os desejos de sua pessoa amada com um celular de última geração que permite o uso de dados? Agora, se é usado durante o jantar romântico preparado com carinho pelo parceiro para celebrar o amor já são outros quinhentos...

Quantos não substituíram os carros e as bonecas por um Tablet com jogos que distraem a criança durante a maior parte do dia? Entre o amor, o desejo de dar em vez de receber e fazer esse sacrifício porque “ele/a merece”, o setor de tecnologia da informação e comunicação é renovado. Cada novo dispositivo vendido envolve uma pessoa que não precisa mais se conectar às redes de segunda geração, aproximando passo a passo o apagão das redes GSM/EDGE.

Por sua vez, também aumenta o mercado potencial para os usuários de aplicativos móveis, tanto de entretenimento como aqueles mais úteis para a pessoa, o que geram perturbações para muitas empresas tradicionais. Não é mais sobre como compartilhar ou não o Netflix, o que está sendo avaliado é se através da web você pode vender coisas que para outras pessoas são relíquias, alugar um espaço, ou simplesmente estudar gratuitamente.  

Curiosamente, a migração natalina até as redes totalmente IP também aumentam o número de pessoas que poderiam sentir interesse em temas tão áridos como a neutralidade de redes. Agora, todas as fofocas que não importaram podem ser totalmente interessantes, pois podem variar. Todavia, se você pudesse tocar uma das consequências conforme o colunista afirmou no jornal que, em seguida, repetiu a notícia de que eles falavam sobre coisas tecnológicas.

As festas de final de ano também são dias onde a nostalgia reina e as recordações de pessoas queridas, porém distantes, não deixam de estar em nossas mentes. Recordamos daqueles amigos de infância, dos colegas das universidades e das travessuras infantis. Afortunadamente neste mundo conectado – e nisso que a Internet das Coisas está atrasada – contamos com redes sociais que nos bombardeiam com alertas de momentos lindos do passado.

Há duas décadas estas recordações simplesmente nos teriam submergido em uma intensa melancolia transformando o rosto com um sorriso interno que ninguém ao nosso redor poderia entender. Agora, a situação é de forma prática, todos os tipos de ofertas surgem das operadoras de telecomunicações para ajudar a conectar as famílias que os quilômetros separam. As redes sociais não foram deixadas para trás e entre as chamadas de vídeo e motivos especiais conseguiram capturar as emoções mais íntimas do ser humano.

Rudolfão (a nona rena do Papai Noel) já não precisa mais se incomodar em acender o nariz, e o baterista não tem que se esforçar para acompanhar o tambor. Assim como o incenso e a mirra já não inspiram a demanda de outros tempos. Agora, a demanda está centrada em aplicativos que podem ser oferecidos gratuitamente por um período de tempo limitado, graças à temporada de Natal. Democratização da música, vídeos e espaço de armazenamento.

Claro que para muitos o material é secundário e estas datas nos geram possibilidade de estar com os entes amados. Para isso, meu respeito e felicidades.

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