“Morte” de supercomputador pode deixar Brasil sem previsão do tempo

Por Redação | 27 de Novembro de 2017 às 11h55

Os serviços de previsão do tempo no Brasil podem parar a qualquer momento caso o Tupã, supercomputador que realiza esse trabalho para todo o território nacional, deixe de funcionar. O pedido de socorro é do CPTEC, Centro de Previsão de Tempo e Meteorologia, que informa que a máquina responsável por todo o processamento de dados relacionados a essa atividade está bem perto do colapso.

É o que os especialistas chamam de “end of life”, o ponto em que um supercomputador chega em sua capacidade máxima e se torna obsoleto, exigindo manutenção e trabalho constantes, caso contrário pode deixar de operar a qualquer momento. De acordo o CPTEC, órgão que faz parte do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), a máquina vem apresentando cada vez mais problemas e eles, em algum momento, podem se tornar insolucionáveis.

Em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, o chefe de operações do instituto, Gilvan Sampaio, afirma que a máquina chegou a quebrar há duas semanas. A falha aconteceu no domingo (19), mas devido ao feriado do Dia da Consciência Negra, na segunda (20), o Tupã só foi consertado na terça-feira (21). Os dados de previsão do tempo e outros fenômenos foram liberados com informações defasadas, que haviam sido coletadas dois dias antes.

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O Tupã, supercomputador responsável pela previsão do tempo (Imagem: Divulgação Cptec/Inpe)

Em caso de colapso, os reflexos serão bem maiores do que apenas o fim da previsão do tempo que assistimos todos os dias nos telejornais. Setores como a agricultura, pecuária e energia, fundamentais para o progresso do país, dependem de tais informações para a tomada de decisão e funcionamento diário, bem como os sistemas de prevenção de desastres naturais, que perderia sua capacidade de alertar os cidadãos sobre a possível ocorrência de catástrofes.

Toda a situação acontece por falta de recursos. A empresa responsável pela manutenção do Tupã não recebe desde outubro, mas continua realizando o trabalho. Entretanto, ele acontece somente nos dias úteis e em horário comercial, ao contrário do suporte que era prestado antes, o que levou à ausência de dados por mais de 24 horas durante o último feriado regional.

Colocado em operação em 2010, o Tupã custou R$ 50 milhões e estava entre os 30 supercomputadores mais velozes do mundo. Hoje, entretanto, está incrivelmente defasado, já que o tempo de vida médio desse tipo de dispositivo é de apenas quatro anos. Depois de sete, entretanto, ele continua sendo o centro da previsão meteorológica brasileira.

O custo de substituição de uma máquina desse tipo está na casa dos R$ 120 milhões, mas o Inpe sugere uma alternativa que pode ampliar a sobrevida do Tupã por mais dois anos. A ideia é substituir processadores e outros componentes da máquina, uma “gambiarra”, como apontam os especialistas, mas que cumpriria o papel de manter a previsão do tempo operando. O instituto diz ter obtido R$ 10 milhões para realizar esse trabalho.

Entretanto, o dinheiro está travado em meio à burocracia estatal. Apesar de ter sido obtido por meio de emendas parlamentares e recursos ministeriais, ainda resta aprovação da Consultoria Jurídica da União para que os fundos sejam liberados. O prazo para isso, entretanto, termina em 8 de dezembro; após essa data, os recursos não poderão mais serem enviados ao Inpe para início dos trabalhos.

Ainda assim, não existem garantias de que tudo vai funcionar direito. O supercomputador pode deixar de funcionar durante o processo de manutenção e, daqui a algumas dezenas de meses, estaremos novamente na mesma situação, uma vez que estamos falando apenas de uma sobrevida e não do melhor caminho a seguir. Enquanto isso, segundo a instituição, o processo de licitação internacional para aquisição de um equipamento novo desse tipo leva dois anos. Ou seja, ele precisa ser iniciado agora, juntamente com os trabalhos de upgrade do Tupã, para que, quem sabe, não tenhamos nenhum tipo de interrupção nos serviços de previsão do tempo.

São números, pedidos e dados que não concordam muito com a proposta do governo, que pode reduzir o orçamento dedicado à ciência e tecnologia em 2018. A expectativa é de um investimento de R$ 2,7 bilhões no setor no ano que vem, algo que, na visão de estudiosos, deve interromper o andamento de pesquisas e o pagamento de bolsas, apertando ainda mais o cinto da inovação e manutenção de infraestruturas no país. Brasília, entretanto, não se pronunciou sobre a situação passada pelo Inpe.

Fonte: Estadão

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