Google perde oportunidades no Brasil por não criar um data center local

Por Redação | 11.05.2016 às 03:07

Um novo estudo do Gartner mostrou que as principais preocupações do gestor de TI no Brasil em 2016 são infraestrutura e data center, BI e Analytics e cloud computing. Nisso, o Google tem perdido oportunidades no país por não ter um data center local. Nos Estados Unidos, por exemplo, a gigante se consolidou como fornecedora de cloud para o governo, e pode estar perdendo esse mercado brasileiro para rivais como Microsoft e Amazon.

“A Microsoft tem quatro data center no Brasil, e com isso recuperou boa parte dos clientes perdidos para o Google”, disse Donald Feinberg, vice-presidente e analista emérito do Gartner. “As organizações estão exigindo seus dados armazenados no país. A pressão é corporativa, não é mais do governo”, acredita o executivo.

Mas não é somente a gigante das buscas que resiste a criar data centers em território brasileiro. Outra companhia que pode perder mercado brasileiro por conta disso é a Oracle, que, apesar de promessas, ainda não o ofereceu aos clientes tupiniquins. “A SAP, que também promete, está usando o [data center] da IBM. Não haverá missão crítica em cloud se não houver data centers no país e, com isso, Microsoft, Amazon e empresas locais, como a TIVIT e outras que tenham data center crescem na preferência”, acrescentou o especialista.

A empresa especialista em pesquisa e aconselhamento em tecnologia também fez uma projeção de que o gasto com TI no país em 2016 ficará em torno de 80 bilhões de dólares, valor bem abaixo dos US$ 114 bilhões registrados em 2014, e ainda inferior aos US$ 95,6 bilhões do ano passado. “2016 será melhor do que 2015, quando a queda nos gastos ficou em 30%. Esse ano ainda haverá um resultado negativo de 12,9%, mas a boa nova é que acreditamos que voltará a ficar positivo em 2017, com cloud computing liderando esses aportes. A crise determina investir em cloud computing”, afirmou Feinberg.

Contudo, é importante frisar que o Gartner realiza esses estudos baseando-se em dólares norteamericanos, moeda que vem sofrendo uma oscilação tremenda desde meados de 2015. Portanto, possivelmente esse fator faça com que essa retração pareça ser ainda mais acentuada. No entanto, Donald Feinberg acredita que o cenário atual represente uma mescla entre diversos fatores, inclusive a variação do dólar no país. Para ele, os compradores estão mais cautelosos em função do ambiente político e econômico do país, reforçando o impacto cambial nos projetos de TI.

Fontes: Convergência Digital, ComputerWorld