Falha semelhante ao “bug do milênio” pode afetar o Japão em 2019

Por Felipe Demartini | 25 de Julho de 2018 às 11h47

Quem tem mais do que duas décadas e meia de vida deve se lembrar do “bug do milênio”, o caos relacionado à passagem de 1999 para 2000 que não foi tão caótico assim. Agora, entretanto, uma nova ameaça digital semelhante pode assolar o Japão em abril do ano que vem, afetando calendários e sistemas digitais com a mudança de imperador.

O atual líder, Akihito, está no poder desde 1989, ou seja, durante praticamente todo o período da ascensão da informática. Hoje, como um dos países mais tecnológicos do mundo, o Japão se encontra diante de um dilema, já que seu calendário é dividido em eras de acordo com o imperador, e, por tradição, o nome da próxima não é revelado antes de ela, efetivamente, começar.

Atualmente, estamos na Era Heisei, associada a Akihito e o rápido desenvolvimento econômico e tecnológico do Japão. Ela começou em 8 de janeiro de 1989, com a morte do antigo imperador, Hirohito, e deve chegar ao fim em 30 de abril, quando o atual líder deve abdicar ao trono. Em seu lugar, entrará o filho, Naruhito, cuja denominação ainda não foi – nem deve ser – anunciada.

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A expectativa desse conflito de datas, que depende da ação de programadores e liberação de atualização para sistemas básicos, é de caos. Na visão de especialistas, setores da administração pública e serviços essenciais podem ficar inoperantes com a mudança de líder, com problemas que vão desde os registros de impostos até dificuldades para sacar dinheiro em caixas eletrônicos.

A Microsoft também falou sobre o assunto, relacionando as dificuldades iminentes ao bug do milênio, mas afirmando que, desta vez, não há “reconhecimento internacional” quanto aos problemas, o que reduz a quantidade de especialistas e profissionais em busca de alternativas. Por outro lado, aponta que, nesse caso, a localização de uma solução pode ser mais simples do que há 18 anos.

Nem todas as companhias em atuação no Japão, por exemplo, serão afetadas pelo problema, pois aquelas com sedes internacionais já trabalham de acordo com o calendário ocidental, que não possui a divisão em eras. Esse, inclusive, seria um caminho prático para a questão, com uma simples conversão resolvendo boa parte das questões relacionadas ao conflito entre tradição e modernidade.

Resta saber, é claro, se as companhias mais tradicionais vão topar fazer isso, ou, se não, como a falha será abordada nos próximos meses. Além disso, sempre existe a possibilidade de tentativas de fraude – com criminosos, por exemplo, se passando por representantes de banco e tentando obter dados dos clientes para fins de atualização de cadastro, ou tentativas de invasão de sistema que fiquem vulneráveis por conta da mudança.

Fora do Japão, entretanto, os reflexos do problema, se existir, não devem ser sentidos. Uma boa notícia para o restante do mundo, mas talvez não para os japoneses, que podem estar prestes a passarem por maus bocados em um momento histórico para o país.

Fonte: Digital Trends

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