Estudo revela como o big data está auxiliando negócios na prática

Por Rafael Romer | 26.10.2015 às 16:42

Há alguns anos que o uso de dados passou para o centro da discussão de TI e de negócios de grande parte das empresas, que hoje buscam maneiras de utilizar todas as informações geradas por suas operações para a criação de insights capazes de transformar suas organizações, seja para ganhar eficiência ou para abrir novas possibilidades de produtos, serviços e faturamento. Estimativas recentes apontam que 90% dos líderes empresariais já citam dados como um recurso tão fundamental para os negócios quanto mão-de-obra e capital.

Mas apesar da tendência do Big Data já ser familiar aos ouvidos de líderes de TI e tomadores de decisões, casos concretos de uso de dados ainda permanecem um mistério para muitos, que ainda não vêm potencial para a aplicação da tendência dentro de suas próprias organizações.

O novo artigo (em inglês) divulgado pela associação internacional de empresas de software BSA explora casos de uso de dados para a transformação de negócios e processos de diferentes indústrias que mostram qual o potencial da tendência do big data e como iniciativas já estão fazendo a diferença na vida de pessoas em diferentes partes do mundo, sejam como cidadãs ou consumidoras.

As principais estimativas do uso de dados apresentadas pelo levantamento são otimistas: o aumento da aplicação destes em diversos setores da economia deverá gerar um "dividendo de dados" de US$ 1,6 trilhão em todo o mundo nos próximos quatro anos, através do ganho de eficiência que ferramentas tecnológicas trarão a diferentes indústrias. Nos Estados Unidos, por exemplo, a expectativa é que cada emprego relacionado a dados crie mais três empregos indiretamente.

De acordo com a pesquisa, mesmo indústrias que tradicionalmente ficavam distantes de inovações em TI têm hoje algum potencial de ganho com a análise de seus dados. Mesmo com ganhos pequenos, utilizar dados para tornar negócios apenas 1% mais eficientes geraria um aumento de US$ 15 trilhões no PIB global até 2030.

Na agricultura, por exemplo, uma startup croata desenvolveu uma plataforma de software analítico em nuvem que processa dados em tempo real sobre impacto da qualidade da ração na produção e taxas de concepção de cada animal, o que melhorou em 50% a eficiência de produtores locais. Já na Índia, quiosques de internet permitem que mais de 4 milhões agricultores acessem dados sobre preços de produtos e clima em idiomas locais.

Na construção civil, a estimativa é que edifícios inteligentes possam gerar economias de energia de até US$ 25 bilhões por ano. Esse é o caso de um projeto dos Emirados Árabes, no qual ferramentas de dados estão sendo aplicadas na construção da cidade planejada de Masdar, em um edifício de "energia positiva" capaz de gerar um superávit de energia elétrica quando estiver pronto.

Já na indústria da aviação, companhias aéreas modernas podem gerar até meio terabyte de informações em cada voo através dos sensores espalhados no avião, o que pode ser utilizado para melhorar o desempenho da operação e segurança de voos. No setor, um ganho de desempenho de apenas 1% através do uso de dados pode economizar US$ 30 bilhões de combustível em todo o mundo ao longo de 15 anos.

Mitos e questões do Big Data

Apesar do potencial transformador das ferramentas de análise de dados, a tendência ainda é cercada de discussões importantes que apontam para problemas ainda não solucionados para o Big Data. No artigo, a BSA desconstrói alguns mitos sobre o big data, que ainda deixam pessoas e empresas receosas quanto à adoção da tecnologia no seu cotidiano.

Um dos mitos principais é que a análise de dados só teria valor real para grandes empresas, que seriam as únicas capazes de movimentar grandes orçamentos de TI para tirar insights de seus bancos de dados. Na contramão da afirmação, o artigo cita a queda história do preço de aramazenamento de dados em conjunto com o surgimento de novas soluções de inteligência de mercado de nicho, que podem também empoderar PMEs no uso dos dados.

Ao Canaltech, a conselheira de compliance e litígios da BSA para a América Latina, Beatriz Picard, avaliou que a necessidade do uso de dados para se manter competitivo já estende inclusive a pequenas e médias empresas, que agora precisam enfrentar a questão mesmo que se mostre como um "choque de geração" para empreendedores tradicionais. "Você acessar um banco de dados é cada vez mais primordial hoje em dia, você não consegue trabalhar sem dados, sem internet", explica. "Ao mesmo tempo, esse mercado está ficando mais acessível e mais barato".

Outra das questões centrais é da segurança de dados utilizados por ferramentas analíticas, que frequentemente recorrem a informações pessoais de consumidores para a retirada de insights de negócio. A BSA avalia que hoje a maioria dos dados que são utilizados são resultado de interações entre sensores e máquinas e não de dados pessoais — tendência que deve aumentar ainda mais com a expansão da Internet das Coisas.

Ainda assim, a organização reconhece a importância de se proteger essas informações, indicando que a confiança do consumidor é essencial para o sucesso da economia de dados. "As pessoas devem sentir que suas informações pessoais estão seguras. Os principais desenvolvedores de software criam proteções de privacidade integradas aos seus sistemas desde o início, algo chamado de 'proteção na concepção'", indica o artigo.