Como o Wi-Fi 6 deve acelerar a conexão sem fio com a internet

Por Samir Vani | 19 de Março de 2021 às 10h00
PxHere / mohamed hassan

Muito já foi dito a respeito do novo normal, dos novos hábitos e da necessidade crescente de conectividade, tanto para o trabalho remoto, educação e mesmo nos momentos de lazer (como games online ou vídeos de streaming). Impulsionado por essas necessidades mais latentes, e aliado à natural evolução tecnológica, veremos a popularização este ano de um novo padrão para conexão a redes sem fio: o Wi-Fi6 e sua versão Wi-Fi6E.

Apesar de todo o barulho relacionado ao 5G, o Wi-Fi ainda tem um longo caminho pela frente, convivendo por muitos anos com as novas gerações de telefonia móvel de forma complementar. Ele continuará sendo o padrão para as redes sem fio (em casa e no escritório), enquanto o 5G seguirá como padrão para a mobilidade.

Segundo as previsões da consultoria Market Intelligence & Consulting, o volume de vendas de dispositivos Wi-Fi chegará 3,1 bilhões este ano, sendo que 50% deles já serão compatíveis com o Wi-Fi 6. Para começar, em vez de ter aqueles nomes longos e complicados, a nova versão do Wi-Fi 802.11.ax será chamada apenas de Wi-Fi 6. E dentro desse espírito de facilitar nossas vidas, ele já nasce com a promessa de permitir um número maior de aparelhos conectados em nossas redes, seja em casa ou no escritório.

Além de suportar mais equipamentos conectados que a versão anterior (o Wi-Fi 5) a nova tecnologia também é capaz de suportar um número maior de equipamentos ligados à rede de maneira simultânea. Essa funcionalidade é essencial para um mundo com número crescente de “coisas” conectadas às nossas redes, principalmente com a popularização da internet das coisas (de acordo com a estimativa da Juniper Research teremos mais de 80 bilhões de conexões de IoT em 2024, contra 35 bilhões registradas em 2020).

A certificação do Wi-Fi 6 aconteceu no final de 2019 pela Wi-Fi Alliance e permitiu a especificação de uso para as faixas de frequência de 2.4 GHz e 5 GHz. Pouco tempo depois o grupo responsável pelos padrões de conexão sem fio à internet anunciou uma evolução desse padrão, que ficou conhecida como o Wi-Fi 6E, permitindo a banda de operação na faixa de 6 GHz. Mas o que isso significa na prática?

Com um espectro limitado como o atual, o desempenho das redes só piora com o aumento do número de usuários. Já com a inclusão da faixa de operação em 6 GHz, por exemplo, ganharemos uma “nova e ampla via” para trafegar os nossos dados em alta velocidade.

Essa evolução traz vários outros benefícios em relação à versão anterior, nascida em 2014. Para começar, podemos citar as velocidades de transmissão, que agora podem chegar a 9.6Gbps (a versão anterior atinge 3.5 Gbps), quase três vezes mais veloz. Também teremos menor consumo de energia — sim, o seu smartphone e notebooks utilizarão menos bateria para estar conectados, o que é muito bom. Afinal quem nunca foi pego de surpresa após utilizar uma hora de Wi-Fi e verificar que a bateria do seu aparelho está quase no fim?

Outro ponto bastante comum para quem frequenta hotéis, cafés e até mesmo alguns prédios residenciais é a questão da interferência de sinais, e nesse quesito o Wi-Fi 6, por ter uma tecnologia de transmissão mais robusta e melhor rendimento, promete melhorar a velocidade média de download em até 4 vezes.

Sem dúvida, o Wi-Fi 6 nos ajudará a realizar nossos trabalhos e estudos ou até mesmo nossos momentos de lazer nos conectando à internet de maneira mais eficiente. E, como tudo na tecnologia, seu ciclo de evolução não para. Prova disso é que já estamos trabalhando na versão 7, que em breve seguirá o caminho deixado pelas tecnologias anteriores e trará ainda mais benefícios aos usuários. Mas isso é uma conversa para outro dia...

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.