Cientistas expandem limites de conexões por fibra óptica

Por Redação | 29 de Junho de 2015 às 10h33
photo_camera Reprodução

Você pode até estar feliz com sua internet ultrarrápida de fibra óptica e assistindo a seus filmes da Netflix em altíssima resolução. Mas, saiba que até mesmo essa tecnologia aparentemente mágica também tem suas limitações é alvo de estudos de muitas universidades ao redor do mundo. Aumentar a velocidade e a quantidade de dados trafegados na rede é essencial num mundo cada vez mais conectado e consumidor de mídia e foi exatamente isso que um grupo de estudiosos norte-americanos conseguiu fazer.

Após estudos teóricos e uma etapa de testes, cientistas da Universidade da Califórnia, em San Diego, nos Estados Unidos, conseguiram enviar dados até uma distância de 12 mil quilômetros por meio de cabos convencionais, sem interferências ou a necessidade de repetidores. Aqui, apenas amplificadores comuns, como os que já existem hoje em operação na infraestrutura atual, foram utilizados.

O segredo está em uma mudança na forma com a qual o sinal enviado é tratado. Hoje, a fibra óptica é, sim, capaz de trafegar um volume de informação maior do que outros tipos de cabos, mas nela também ocorre o processo de degradação em longas distâncias. Com isso, é necessária a utilização de amplificadores de sinal, que são caros e acabam gerando mais interferência, além de reduzirem a qualidade da transmissão e acabarem exigindo equipamentos caros na ponta final. Ou seja, é um funcionamento que, a cada aumento no fluxo, se torna mais inviável.

Em sua hipótese, os estudiosos trabalharam com o conceito de areia movediça – assim como na rede, quanto mais força se faz para sair, ou levar o sinal mais longe, pior o resultado. A ideia, então, é ampliar o potencial de energia que pudesse ser transmitido desde o começo, quando os dados saem de sua origem, de forma a dispensar os repetidores e reduzir a degradação a grandes distâncias.

Isso foi feito com o que foi chamado de “pente de frequência”, que iguala os sinais de saída e permite que eles viajem pelos cabos de maneira semelhante, conversando entre si e reduzindo ao máximo a interferência. Assim, o máximo de energia suportada fisicamente pelos fios pôde ser lançada, com os amplificadores aplicando o filtro e garantindo que tudo chegasse bem ao final do percurso.

Os testes foram realizados em sistemas com três ou cinco canais, mas os cientistas afirmam que a ideia pode ser aplicada de maneira infinita. As atuais redes de fibra óptica contam, em média, com 30 canais para transmissão de dados e a ideia é que, com algumas alterações básicas, o novo sistema possa ser aplicado na infraestrutura já existente, sem que grandes investimentos, mudanças e, principalmente, interrupções, tenham que ser realizadas.

Além de funcionar sobre a base que já está instalada, os cientistas apontam que a inovação será capaz de retardar significativamente a ideia de que podemos chegar, um dia, no limite físico de transmissões pela rede. Com a nova forma de se enviar dados por fibra óptica, a ideia é dar mais folga para que os investimentos e inovações possam ser realizados do jeito certo e que uma nova infraestrutura possa ser instalada de forma cuidadosa, sem a afobação típica de grandes situações emergenciais.

O objetivo dos pesquisadores, agora, é continuar testando em redes com um número de canais cada vez maior, aperfeiçoando o filtro e contando com a ajuda de empresas de telecomunicações – a Qualcomm, uma das maiores dos Estados Unidos, por exemplo, é uma das parceiras do grupo. Não existe data para uma aplicação prática dos conceitos descobertos pela equipe.

Fonte: IS Preview

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