China vai banir softwares e equipamentos estrangeiros de prédios do governo

Por Felipe Demartini | 09 de Dezembro de 2019 às 13h05
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O governo chinês ordenou uma substituição completa de equipamentos e softwares estrangeiros em prédios e instalações do governo, em uma nova iniciativa para garantir sua independência tecnológica. O processo estaria em andamento desde o começo deste ano e tem previsão de ser completado até 2020, quando todos os sistemas operacionais, dispositivos e infraestruturas da máquina estatal estarão operando apenas com tecnologias criadas e desenvolvidas no próprio país.

De acordo com as informações extraoficiais publicadas na imprensa internacional, se trata tanto de um processo para evitar espionagem e uma possível guerra cibernética (com os Estados Unidos, principalmente), quanto de um programa de fomento da indústria local. O governo da China estaria investindo há anos em empresas estatais para desenvolvimento de soluções próprias em preparação para uma substituição completa que, agora, está em andamento.

O processo acontece em etapas. Até o final de 2020, a ideia é que 30% das operações do governo já funcionem sobre estrutura própria, com mais 50% em 2021 e com o restante sendo substituído até o fim de 2022, quando o projeto chega ao fim. A ideia é que, somente entre PCs usados para atendimento à população ou operações internas, o total seja de dezenas de milhões de unidades, e essa é só a parte mais “fácil” da iniciativa.

O real problema, de acordo com os relatos da imprensa internacional, está em encontrar alternativas a sistemas operacionais como o Android ou o Windows, bem como aos sistemas de código aberto que funcionam em pesquisas de inteligência artificial. Além disso, supercomputadores e servidores podem sofrer com o impedimento no uso de chips de grandes fabricantes, enquanto sistemas de vigilância acabam proibidos de utilizarem sensores e outros componentes fabricados internacionalmente, minando seu avanço.

Por outro lado, o governo chinês estaria investindo na produção de equivalentes locais, pelo menos, desde 2014, quando outras iniciativas desse tipo começaram a acontecer. Muitas delas, como uma substituição completa de smartphones Android usados por oficiais do governo, se tornaram proibitivas e foram abortadas. Daí, talvez, a ideia de fazer essa substituição em etapas e não de maneira arbitrária, como foi tentado no passado.

Nada foi dito oficialmente pelo governo, porém, com a informação publicada na imprensa estrangeira sendo oriunda de relatórios de análise do mercado chinês. Vale a pena lembrar, porém, que iniciativas semelhantes já existem em outros países do mundo, como os EUA, que já lançou iniciativas de substituição de equipamentos chineses (mas apenas estes) de instalações do governo. Trocas que autorizem apenas dispositivos e softwares locais, entretanto, são inéditas.

Fonte: The Financial Times

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