As telcos precisam se reinventar para continuar no jogo

Por Boris Kuszka | 20 de Outubro de 2017 às 11h54
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Como já tratei em outros artigos, a transformação digital é uma necessidade sabida por várias indústrias, e há inúmeras razões para ela ser adotada. A principal delas, sem dúvida, é a máxima de que se você não for ágil e colocar novos serviços no mercado, vai acabar se tornando irrelevante. Em termos práticos, significa que ou sua empresa quebrará, ou será comprada por outra.

No caso das telcos, a necessidade de se reinventar já está batendo à porta. Concorrentes estão surgindo de todos os lados, até mesmo de onde não se imaginava: o Skype transformou voz em dados e o WhatsApp suplantou o SMS e o MMS - mais recentemente, este também suplantou o Skype - pelo menos na interação entre pessoas. É uma luta pela sobrevivência em que não vence o mais forte, e sim o que tiver capacidade de enxergar mais longe.

Essa característica é fundamental para as provedoras de telecomunicações encontrarem o próprio espaço no mercado e manterem a inteligência dentro da rede própria, com manutenção do serviço, sem ter de entrar em conflito com as gigantes da internet, como o Google, que desejam aumentar a inteligência nos devices do usuário - smartphone, notebook e tablet -, quebrar paradigmas e tirar o poder das telcos - a ideia é transformar as operadoras em bit pipes(simples canais de comunicação comoditizados), a partir de projetos que farão com que o wi-fi seja usado a todo momento, exercendo uma pressão ainda maior sobre as operadoras. O Xfinity, da Comcast, e o Project Fi da Google são alguns exemplos lembrando que a Google já possui mais de 1 milhão de hotspots wi-fi.

Outro ponto extremamente importante para as empresas de telecomunicações é o compliance, ou seja, a observação às normas. As novas regras da Anatel quanto ao compartilhamento de infraestrutura - aprovadas em 28 de setembro deste ano – vão exigir um grau ainda mais elevado de automatização e infraestrutura configurável por software para atender os prazos estabelecidos pela reguladora, a preços e condições justos e razoáveis, o que quer que isso signifique.

Para reagir, as provedoras de serviços de telecomunicações precisam aumentar a escalabilidade, reduzir custos e elevar a flexibilidade da rede para criar novos modelos de negócio, principalmente cloud, como já estamos vendo no Brasil. Tecnologias como SDN (Redes Definidas por Software) e NFV (Funções de Rede Virtualizada) são as chaves para alcançar esses objetivos.

O NFV permite migrar as funções de rede exclusivas de telecomunicações, como o GGSN - Gateway GPRS Support Node e o HSS – Home Subscriber Service, para uma estrutura virtual, que antes era implementada por um applianceproprietário, só que a tendência atual é não ficar preso ao fabricante e adotar opções open source de tecnologia, principalmente pela velocidade de inovação, a exemplo do OpenStack, que já está virando padrão de fato pela adoção maciça do mercado.

O OpenStack chega até o SDN, que é uma rede programável baseada em software capaz de orquestrar/gerenciar os appliances proprietários, ou mesmo virtualizar os serviços de rede em servidores padrão, tornando o data center programável, com redução de custos, liberdade de escolha de fornecedor de software e hardware, bem como aumentando a flexibilidade de implementação. É uma ferramenta para ter as funções de IP virtualizadas.

Uma diferença entre as duas tecnologias é que o SDN é útil não só para um banco ou uma loja de departamento, mas também para telco. Já o NFV é específico de telecomunicações.

E também existe o vCPE – Virtual Customer Premises Equipment, que virtualiza o equipamento e oferece o serviço para que não seja mais necessário manter o appliance na casa do cliente ou na empresa, excluindo os custos com manutenção local, podendo fazer tudo remotamente. Trazendo para a prática, imagine que você terá um grande evento, a transmissão da Copa do Mundo, por exemplo. Com o vCPE, você não precisa comprar mais hardware para aumentar a capacidade, pois ele está implementado virtualmente em uma nuvem elástica e gerenciável dentro do data center.

Portanto, o open source é o grande aliado das telcos na reinvenção que o mercado pede, em termos de inovação e virtualização. Antes, essas companhias não acreditavam muito na tecnologia por terem receio da instabilidade, mas isso mudou com as versões empresariais dos softwares de código aberto. Os projetos Open Source OPNFV (NFV) e OpenDaylight (SDN) estão ficando cada vez mais maduros para atender as necessidades de telecomunicações e estimulando a adoção das gigantes do setor.

Tudo isso porque a tecnologia open source faz com que as empresas de telecomunicações fiquem mais competitivas. Especificamente as tecnologias que virtualizam as funções de rede permitem que evoluam, reprogramando a infraestrutura atual ao invés de continuar adquirindo mais hardware proprietário. Por outro lado, também prepara as companhias para o 5G, padrão que será a base de comutações em alta velocidade, ultra high definition, game multiplayer online aprimorado e muitas outras inovações.

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