A sua rede está pronta para o 4K?

Por Colaborador externo | 07.07.2015 às 08:49

Por Eduardo Amorim*

Durante a Copa do Mundo no Brasil, no estádio do Maracanã, 3 jogos foram transmitidos com sinal 4K para fãs de futebol de todo o mundo. Isto não só marcou o primeiro uso comercial do 4K em um evento esportivo global, mas também deu início a uma onda de implantação comercial global do 4K.

Atualmente, as principais operadoras dos Estados Unidos, Europa, Japão, Coréia e China deram início ao 4K comercial em larga escala, e as OTTs, como a Netflix, estão implantando o vídeo 4K globalmente. Ao mesmo tempo, o número de lançamentos de TVs prontas para a tecnologia 4k só aumenta: este era o padrão mínimo encontrado em eventos como a Consumer Electronics Show (CES), um dos principais eventos de eletrônicos de consumo do mundo. Enfim, a era 4K está chegando mais depressa do que muitos esperavam.

Logo, para atender às altas exigências dessa nova tendência, como as operadoras deveriam se preparar para o 4k? Qual a largura de banda necessária para essa nova experiência de vídeo?

A tecnologia 4K significa uma melhoria na qualidade do vídeo em diferentes áreas – imagens mais nítidas, movimentos mais perfeitos, além de cores mais naturais e realistas. Em comparação com o HD, o vídeo 4K oferece resolução de 3840 x 2160 (4 vezes maior que a HD), de 50 a 120 quadros por segundo (contra 24 quadros por segundo no HD), profundidade de cor de 12-bit (profundidade de 8-bit no HD), uma gama de cores 50% maior e taxa de bit entre 5 e 10 vezes maior.

Os principais Indicadores de Qualidade (KQIs) que afetam a experiência do usuário para serviços de Vídeo sob Demanda (VoD) incluem tempo para o carregamento do vídeo, velocidades para avançar/retroceder e taxa de congelamento do vídeo.

Ramesh Sitaraman, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), realizou uma pesquisa envolvendo 6,7 milhões de pessoas e totalizando 23 milhões de experiências com vídeo. Os resultados da pesquisa revelaram um “teste de 2 segundos”. Especificamente, quando o tempo do carregamento do vídeo ou do avanço/volta passa dos 2s, o espectador começa a abandonar o vídeo. Essa taxa de abandono aumenta 6% para cada 1s adicional do tempo de carregamento. Quando um vídeo trava, 35.2% dos espectadores desistem de assistir. A taxa de abandono também aumenta 6% para cada 1s adicional do tempo de carregamento. Para minimizar este “efeito dos 2 segundos”, o bit rate dos vídeos 4K em transmissões ao vivo deve ser maior do que a média do bit rate ideal.

Para ter sucesso na era 4K, as operadoras precisam se atentar para a experiência do usuário, não apenas na garantia de velocidade de banda larga. É preciso obter uma rede de transporte de alta velocidade de banda, alta taxa de transferência e gerenciamento completo de desempenho para garantir uma experiência premium com os serviços 4k.

Quando se trata de garantir um alta taxa de transferência na última milha, na faixa de 100 a 1000 Mbps, é necessário realizar um diagnóstico profundo nas camadas de acesso, metro e backbone, nas quais se verificará a necessidade de reconstrução do FTTx e da adoção de soluções backbone em nível de terabit para atender os requisitos básicos do serviço de transmissão 4K. Além disso, a otimização da arquitetura de rede baseada na sinergia IP e Óptica e a otimização do tráfego baseada na SDN também podem melhorar significativamente a eficiência das redes.

Porém, isso não significa que sua rede estará pronta para o 4K com largura de banda de 100Mbps. É necessário considerar a taxa de transferência real da rede, uma vez que a banda larga pode ter atrasos, perda de pacote de dados e outras interrupções que afetam a experiência do usuário. Desta forma, o vídeo 4K requer entre 30 e 100Mbps de taxa de transferência real.

Apenas redes de alto desempenho, combinadas a tecnologias que garantem alta taxa de transferência e com ferramentas para aferição da qualidade, tornarão possíveis a adoção e o desenvolvimento do 4k no Brasil.

* Eduardo Amorim é gerente sênior de marketing da Huawei