Redes: entendendo o mundo de uma maneira diferente

Por Colaborador externo | 21 de Agosto de 2014 às 11h09

Por Vicente Pinheiro*

Somos consumidores de dados. Todos os dias recebemos e enviamos uma enorme quantidade de informações através de meios de comunicação e da sociedade. Consumimos dados de diferentes naturezas, formas e características e, como consequência disso, temos reações das mais diferentes. Comentários na Internet, mensagens e compartilhamento são alguns exemplos de resposta que damos às informações que recebemos diariamente. O que muitas pessoas não notam é que essas reações são extremamente valiosas e podem formar opinião, afetar a economia de uma empresa, de um país ou a vida de milhões de pessoas. Todos nós temos reações, mas é cada vez mais difícil prevermos o que elas podem desencadear.

Como um vídeo se torna febre na Internet? Por que uma guerra que estava sendo evitada há anos simplesmente sai do controle? Como o Facebook se tornou uma empresa tão poderosa em tão pouco tempo? Muitos acreditam que a resposta está em uma única palavra: Redes.

As redes são conexões entre diversos objetos e podem ligar pessoas, aeroportos, cidades e até mesmo governos. As pessoas estão acostumadas com uma expressão que está na moda: redes sociais, sem nem perceber que existem milhares de outros tipos de redes que você já teve contato e não sabe. As redes de forma geral podem ser definidas como coleções de nós e ligações organizadas de uma forma e que podem sofrer mudanças ao longo do tempo como se estivessem vivas, orgânicas. É uma estrutura que evolui. Um bom exemplo de rede é a própria sociedade. A sociedade é provavelmente a rede complexa mais estudada ao longo da história da humanidade. Os bilhões de nós dessa rede são os indivíduos e as ligações formadas podem representar os diferentes tipos de relação que surge entre eles: a relação de trabalho, a amizade, a familiar, a afetiva etc.

Existe uma área que estuda como as redes complexas evoluem, ela é chamada de Network Science. Uma das principais conclusões desenvolvidas por essa área é que por mais que as redes ao nosso redor tenham origens totalmente diferentes, elas possuem mais características estruturais em comum do que imaginamos. Experimente analisar a rede formada pelas rotas aéreas do Brasil. Se tomarmos como exemplo a cidade de São Paulo, é possível perceber que o município é um hub muito popular, com muitas ligações com outras cidades. Assim como uma pessoa famosa, com milhares de fãs no Facebook. A mesma também possui milhares de ligações com seus fãs.

Essa e outras conclusões nos permitem criar modelos matemáticos que reproduzem seus comportamentos, nos permitem entender e até estimar como uma rede evoluirá a partir da ação de um dos seus "indivíduos". Network Science é uma área nova que cresce rapidamente e que nos fornece ferramentas para estudar e analisar o mundo de uma perspectiva diferente, como uma rede de relações. A explicação de um grande acontecimento pode estar ligada a fatores muito mais complexos do que podemos imaginar.

*Vicente Pinheiro é analista de projetos da Stone Age desde 2012. É formado em Ciência da Computação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e tem mestrado em Engenharia da Computação pela Coppe/UFRJ.

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