Problemas com conectividade impedem adoção de computação na nuvem no Brasil

Por Redação | 17.12.2012 às 06:05

O Brasil conta com alguns fatores que impedem a rápida adoção de tecnologias de computação em nuvem, e um deles, a preocupação com a conectividade, já é visto como o segundo principal problema pelos executivos de TI, atrás apenas da principal questão impeditiva, que é a preocupação com segurança. A Frost & Sullivan se encarregou de consultar executivos da área tanto em 2011 quanto neste ano.

"O Brasil possui problemas muito graves de infraestrutura. A falta de conexão à internet em algumas regiões chega a ser inaceitável", comenta o analista da equipe de TI da Frost & Sullivan, Fernando Belfort. "Quando comparamos o número de hotspots Wi-Fi, por exemplo, isso fica evidente: não chega a 1% do total disponível nos Estados Unidos e o país realmente precisa evoluir nesse ponto".

Mesmo com toda a preocupação relacionada à falta de conectividade no país, ainda são promissoras as perspectivas para a computação em nuvem no Brasil, que deve movimentar neste ano US$ 174 milhões, o equivalente a 362 milhões de reais. Espera-se que em 2013 ocorra um aumento na adoção das tecnologias de nuvem, chegando a movimentar US$ 302 milhões (R$ 628 milhões).

Segundo Belfort, existem grandes oportunidades no mercado brasileiro, que apesar de tudo é bastante desequilibrado. Apenas 15% deste mercado concentra-se em software, enquanto 30% é focado em serviço e 55% em hardware. Em comparação com o contexto norte-americano, os números mostram um equilíbrio com 40% das despesas em serviços e 30% tanto em hardware como em software.

Belfort ainda expõe que o problema das empresas brasileiras está baseado na cultura conservadora de alguns CIOs, que ainda não aceitam aderir à tecnologia de nuvem. A maioria pensa que a compra de hardware próprio fará a empresa mais segura, o que não é necessariamente uma verdade.

O analista ainda estima que as melhores oportunidades no mercado de computação em nuvem no Brasil devem se concentrar na área de software como serviço (SaaS) e infraestrutura como serviço (IaaS). Espera-se que, em 2013, 54% das empresas consultadas pela Frost & Sullivan adotem o padrão SaaS, enquanto 47% iniciem seus projetos em IaaS. “Nessa área, destaco Google, Microsoft, IBM, Locaweb e a Amazon Web Services, há um ano de atuação apenas no país, como as principais fornecedoras”, afirma o analista.

Há ainda boas perspectivas em relação ao big data. Segundo Belfort, as perspectivas para esse segmento em 2013 são positivas, principalmente em setores líderes de adoção como varejo, petróleo e gás e telecomunicações. A Frost & Sullivan estima que o mercado de big data deve crescer a uma taxa anual composta (CAGR) de 25% até 2016.